domingo, 28 de fevereiro de 2010

Será que é 4 x 4?


Eu estava com outro texto para publicar hoje, mas depois do que eu ouvi não pude e nem consegui me conter sobre o assunto.

Já notou que grande parte dos acidentes de transito são causados por pessoas ditos experientes? Estatisticamente, a maioria dos acidentes acontecem por pessoas com no mínimo 5 anos de carteira por falha humana. Fiquei analisando o fato. É interessante, pois, não que não aconteça quando somos inexperientes, mas, justamente quando somos novos, focamos e cuidamos de todos os detalhes para executar tal tarefa. Basta prestar atenção. Perceba que você mesmo ou qualquer um ao entrar no carro sendo um novo habilitado, entraria no carro, arrumaria o banco, colocaria o sinto, regularia os espelhos para depois colocar a mão na chave 3 ligar o carro. Qual o “experiente” que faz isso? Normalmente, entra-se no carro já ligando; dependendo da pressa, coloca-se o sinto e arruma-se o banco já em movimento, e os espelhos só quando precisa.

Já notou que fazemos o mesmo com nossas vidas? Com tudo que nos é novo, diferente e misterioso somos extremamente cautelosos, lentos e até medrosos. Primeiro dia de aula da nossa vida, primeira pedalada sem rodinhas de apoio ou sem ajuda, primeiro emprego, primeira vez que pedimos a conta mudar de emprego, primeiro namoro, primeiro carro, casamento – que em tese deveria ser só um, primeiro filho, primeira casa (...), enfim. No entanto, quando ficamos “experientes”, ficamos desleixados, descuidados; e por conseqüência, nossos acidentes são causados pela nossa “experiência” ou agravados por ela. Trazendo para minha experiência, fui criado num lar cristão. Sempre fui ensinado a saber a opinião de Deus para minhas atitudes. Sinceramente, não sou muito fã dessa idéia – mas isso é assunto da próxima publicação. Há um versículo na bíblia que diz que Ele é luz (I João 1:5). Sempre que viajávamos a noite, eu e meus amigos da / para a praia onde um deles tem casa, em dado trecho não havia iluminação, apenas os faróis do carro. Adivinha o que fazíamos? Quando não havia mais ninguém conosco naquele trecho, apagávamos os faróis e continuávamos dirigindo sem enxergar literalmente nada. É como se estivéssemos dirigindo de olhos fechados. Foi o que eu fiz na minha vida. Não quero colocar aqui uma relação direta entre mim e Deus, mas a questão é que, pelo meu contexto de vida antes eu era inconscientemente mais prudente, e agora eu estava confiante demais e fui descuidado, desleixado para tratar de assuntos importantes, complexos e delicados. Com meus amigos só fizemos isso em linha reta, mas eu tinha entrado em curvas, subidas, pontes na minha vida baseando-me apenas na minha “experiência”. E experiente ou não, sem luz não faz diferença nenhuma.

Antropólogos afirmam que “quando eu me lanço no mundo desconhecido, o que eu descubro é o meu mundo”. Eu me lancei. Francamente, não me arrependo por tê-lo feito, mas me arrependo pela forma como permiti as coisas acontecerem, pelo momento em que me lancei. Como na frase do filme “Um homem de famíla” (Family Man), “nunca coloque em risco o melhor da sua vida ou o que você tem de melhor porque você está em crise”. Não entendia isso. E já adiantando, dinheiro não se encontra na lista das melhores coisas da vida. E sim pessoas, família, amigos, relacionamentos. (...) Hoje, eu sei e conheço a mim. O que preciso e o que não preciso. O que quero e o que não quero; quem eu quero e como eu quero. É como se finalmente eu tivesse ligado os faróis. A boa notícia é que não capotei, mas terei que corrigir o trajeto e enfrentar um trecho desconhecido até chegar no caminho de volta que agora eu vejo. Espero que tenha tração nas 4 pra subir mais rápido. ;)

Mulek

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Provocando o destino


Existe um momento na vida de um homem em que ele deixa de escolher o que fazer pra fazer o que tem que fazer” (filme Desafio do Destino). Desde que ouvi, essa é (mais) uma das coisas que ficaram martelando em minha mente. É como se um ambiente fosse preparado pra você, ou como numa peça de teatro você tivesse um ato exclusivo, ou ainda como se numa música fizessem do nada uma virada pra que você fizesse um solo! Ou vai ou racha! Achei interessante a opinião de uma amiga minha que diz não gostar de fazer metas pra depois terminar o ano e descobrir que não as atingiu. Sinceramente, eu acho meio difícil alguém conseguir isso. Podem não dizer que é uma meta, mas sempre há algo que queremos muito, mesmo que isso não seja declarado. Comigo, nem que eu quisesse desfazer minhas metas já não daria mais. Na virada de ano, tive um “léro” com Ele e coloquei o que queria pra esse ano. Como já comentei (e de praxe sempre comento algo das outras publicações), 3 delas já se realizaram. Se é coisa da minha cabeça ou não, sinto como se Ele me dissesse: “Se é mesmo o que você quer, está aí!”. Ou seja, hora da verdade! Mas, embora esse ano tenha começado bem, há bastantes coisas ruins, conseqüências de erros cometidos em 2009. E sinceramente, quando meu dei conta, era como se Ele viesse até mim e dissesse: “O que você acha de parar de fazer cagada? Está na hora de virar homem de verdade!! Dessa maneira não vai dar pra continuar!”. De repente, sonhos que eu tinha quando mais novo vieram à tona, palavras que havia recebido se fizeram fresca em minha mente.

Meu tempo de menino tinha acabado (I Cor. 13:11). Poderia ter sido diferente, mas eu estava mais parecendo um piá de pirraça. Ano passado eu fui indagado por uma atitude madura. E tudo realmente reforçava e confirmava que eu tinha já estava no limite. A fidelidade dEle estava se fazendo real, palpável (Marcos 13:31). É engraçado, pois muitas coisas hoje não estão ao meu favor. Mas vendo o “andar da carruagem“, as coisas acontecendo e se encaixando, me traz tranqüilidade. É como se Ele estivesse me olhando e me desse um toque: “Eu não me esqueci disso. Mas se você realmente e/ou ainda quer isso, vai precisar começar a agir diferente.” Agir como um homem de verdade. Em verdade, integridade e retidão. Agir num padrão diferente e até como já havia agido num período da minha vida. Como Ele me fez. Vivendo e fazendo a minha história. E não repetindo uma história como Freud dizia ou imitando a história de um livro ou revivendo a história de outros.

Hoje, eu estou onde provavelmente eu deveria estar a muito tempo. Ele me disse que estaria comigo*. Sinceramente, não consigo entender muito a relação dEle comigo. Pra quem estiver lendo isso pode pensar que “IIIhhh! O Mulek pirou!!”. Sabe, eu também penso isso as vezes. Embora as coisas se encaixem e me levem a chegar a essa conclusão devido ao conhecimento que tenho, isso pode ser uma viagem. Uma grande viagem! Sinceramente, eu ainda espero algo maior da parte dEle. Algo que eu não me permita pensar ser coisa da minha cabeça. Algo que principalmente não tenha intervenção humana. Mas se só aprende a ter fé crendo, o único risco que eu corro é descobrir que a fé não existe e que o mérito é meu. Independente do que aconteça. E independente de como seja, é minha chance de ser mais intenso que antes. De mostrar que é possível. E em verdade. E como diz Charlie Brown Jr, “pra quem tem pensamento forte, o impossível é só uma questão de opinião”.

Mulek


*Surpresa entregue Gen.28:15a

sábado, 20 de fevereiro de 2010

“I need to take a piss”*


No início desse ano eu consegui definir metas para todas as áreas da minha vida. Surpreendentemente eu já consegui atingir 3 delas. Quem lê ou ouve isso deve pensar “puxa que legal”. Mas viver isso não é tão simples assim. Como comentei em outras postagens, 2009 foi o ano da decisão. Mas descobri que muito mais difícil que tomar uma decisão, é executá-la.

Pra executar algumas delas eu precisei fazer escolhas. Também não é simples, por que escolha significa que você vai ter que abrir mão de algo em prol de outra coisa que contribuirá para que você atinja a sua meta, o que você quer. E acredito que é a parte mais difícil, porque é a partir disso que as coisas começam a se materializar. É, também, quando você mostra mesmo se você realmente quer o que diz que quer. E sabe, não abrir mão ou não escolher, além de dificultar as coisas, pode significar perder ou não alcançar o objetivo. Pior que isso é quando não abrir mão coloca em jogo sua credibilidade.

Num de meus desabafos com Deus, quis saber o porquê de eu ter errado tanto. Nunca quis isso. Bem pelo contrário, num tempo religiosamente mais afinco, pedia forças para não errar, principalmente naquilo que eu condenava e condeno. Se as coisas fossem diferentes, em outras palavras, mais fáceis eu não teria errado tanto. No entanto, não sei se fui levado a lembrar ou simplesmente lembrei que também pedia intimidade, intensidade com Ele e sabedoria. Foi aí que entendi que na verdade o que me foi dado era a oportunidade para me tornar sábio e viver intensamente. E como já desconfiava e percebia, confirmei que Ele é simples. Eu esperava que algo extraordinário acontecesse e eu alcançasse o meu objetivo. Mas, todo bom pai sabe que se tudo é dado para uma criança, ela se torna mimada, cômoda e dependente. E tem mais, descobri que Ele não repete histórias. Ou seja, escolher, abrir mão, fazer, agir, é isso que torna as coisas intensas e traz sabedoria. Embora não sejam escolhas fáceis, mas são atitudes simples, e de grande impacto. O que Ele estava me dizendo e eu não estava entendendo era “Vai! Só fazer!”. Esse é mais uma das coisas que só se aprende fazendo.

Nessa semana, ouvi o seguinte conselho: “Viva de tal modo que você possa olhar todos de cabeça erguida”. Desde que ouvi, isso não saiu da minha cabeça. E notei que só a verdade é o que basta para que se possa viver assim. Viver a verdade, o que é verdade. Clara e escancarada. Sem nada oculto ou “meias” verdades, muito menos mentiras. Então, eu “fui mijar”*. E parece que Ele foi comigo ;) ** . Cansei de fugir, de me esconder; cansei de tentar não querer, cansei de viver o que outros acham melhor, de me deixar levar pela correnteza, de não ser eu, de não viver minha história. Não é o que alguns esperam, ou não é aceitável a algumas pessoas ou opiniões, mas como estava não poderia mais continuar, não poderia mais viver. Preciso ser eu. De novo. E agora muito mais que antes. Encarando e vivendo a verdade, e com tudo o que ela agrega hoje – acertos, erros, novidades (passado e presente). Em outras palavras, no mínimo tão competente para fazer diferente a partir de hoje quanto fui para errar. Claro, limpo e reto.

Mulek


*Referencia a uma fala do filme Rock Star
** Gen. 28:15a