Eu estava com outro texto para publicar hoje, mas depois do que eu ouvi não pude e nem consegui me conter sobre o assunto.
Já notou que grande parte dos acidentes de transito são causados por pessoas ditos experientes? Estatisticamente, a maioria dos acidentes acontecem por pessoas com no mínimo 5 anos de carteira por falha humana. Fiquei analisando o fato. É interessante, pois, não que não aconteça quando somos inexperientes, mas, justamente quando somos novos, focamos e cuidamos de todos os detalhes para executar tal tarefa. Basta prestar atenção. Perceba que você mesmo ou qualquer um ao entrar no carro sendo um novo habilitado, entraria no carro, arrumaria o banco, colocaria o sinto, regularia os espelhos para depois colocar a mão na chave 3 ligar o carro. Qual o “experiente” que faz isso? Normalmente, entra-se no carro já ligando; dependendo da pressa, coloca-se o sinto e arruma-se o banco já em movimento, e os espelhos só quando precisa.
Já notou que fazemos o mesmo com nossas vidas? Com tudo que nos é novo, diferente e misterioso somos extremamente cautelosos, lentos e até medrosos. Primeiro dia de aula da nossa vida, primeira pedalada sem rodinhas de apoio ou sem ajuda, primeiro emprego, primeira vez que pedimos a conta mudar de emprego, primeiro namoro, primeiro carro, casamento – que em tese deveria ser só um, primeiro filho, primeira casa (...), enfim. No entanto, quando ficamos “experientes”, ficamos desleixados, descuidados; e por conseqüência, nossos acidentes são causados pela nossa “experiência” ou agravados por ela. Trazendo para minha experiência, fui criado num lar cristão. Sempre fui ensinado a saber a opinião de Deus para minhas atitudes. Sinceramente, não sou muito fã dessa idéia – mas isso é assunto da próxima publicação. Há um versículo na bíblia que diz que Ele é luz (I João 1:5). Sempre que viajávamos a noite, eu e meus amigos da / para a praia onde um deles tem casa, em dado trecho não havia iluminação, apenas os faróis do carro. Adivinha o que fazíamos? Quando não havia mais ninguém conosco naquele trecho, apagávamos os faróis e continuávamos dirigindo sem enxergar literalmente nada. É como se estivéssemos dirigindo de olhos fechados. Foi o que eu fiz na minha vida. Não quero colocar aqui uma relação direta entre mim e Deus, mas a questão é que, pelo meu contexto de vida antes eu era inconscientemente mais prudente, e agora eu estava confiante demais e fui descuidado, desleixado para tratar de assuntos importantes, complexos e delicados. Com meus amigos só fizemos isso em linha reta, mas eu tinha entrado em curvas, subidas, pontes na minha vida baseando-me apenas na minha “experiência”. E experiente ou não, sem luz não faz diferença nenhuma.
Antropólogos afirmam que “quando eu me lanço no mundo desconhecido, o que eu descubro é o meu mundo”. Eu me lancei. Francamente, não me arrependo por tê-lo feito, mas me arrependo pela forma como permiti as coisas acontecerem, pelo momento em que me lancei. Como na frase do filme “Um homem de famíla” (Family Man), “nunca coloque em risco o melhor da sua vida ou o que você tem de melhor porque você está em crise”. Não entendia isso. E já adiantando, dinheiro não se encontra na lista das melhores coisas da vida. E sim pessoas, família, amigos, relacionamentos. (...) Hoje, eu sei e conheço a mim. O que preciso e o que não preciso. O que quero e o que não quero; quem eu quero e como eu quero. É como se finalmente eu tivesse ligado os faróis. A boa notícia é que não capotei, mas terei que corrigir o trajeto e enfrentar um trecho desconhecido até chegar no caminho de volta que agora eu vejo. Espero que tenha tração nas 4 pra subir mais rápido. ;)
Mulek