quarta-feira, 17 de março de 2010

Um homem de verdade


Você já assistiu ao filme “Do que as mulheres gostam”? Acho um bom filme, embora concorde com a opinião de algumas mulheres que em alguns momentos é muito superficial. Mas a idéia é que normalmente as mulheres são mais misteriosas, mais intensas. Elas vivem num outro plano, aliás, superficialidade não é com elas, são mais profundas. Ao contrario dos homens, dificilmente literais – a não ser em casos extremos, isto é, dificilmente você irá entender o que elas querem apenas pelo que elas dizem. E é uma das coisas que mais ouço: “Não consigo entender o que ela quer!”.

Sempre sonhei e desejei que eu seria diferente, faria diferente. Desde criança escutei minha mãe desabafando ou me dizendo como deveria ser um homem. Passei grande parte da minha infância observando e presenciando comportamentos, ações e reações, atitudes, ou a falta delas, compartilhando sentimentos, e as conseqüências disso tudo. Não foi uma infância fácil ou normal, mas pela história de minha família eu havia me tornado um perito em entender as mulheres. E é engraçado como elas falam. Nunca tinha percebido como o “ditado” que diz que as mulheres falam até pelos cotovelos é verdade. Não simplesmente pela quantidade, mas pelo fato de falarem sem dizer uma única palavra. Eu estava com a chave nas mãos.

Não quero e nem vou escrever aqui algo do tipo “os segredos” nem uma “receita de bolo” de como entender ou conquistar as mulheres. Existem muitos livros tratando desse assunto e, sinceramente, acho um tanto ridículo. Principalmente os que usam desse tipo de leitura apenas em benefício próprio. Francamente, acho que se trata apenas de um bate-papo, uma conversa. Assim como quando você conversa com alguém, e não espera nada mais além do normal – atenção e resposta, é o que elas querem e procuram. Mas, como disse, nem sempre o que elas dizem sai em forma de palavras; o que significa que nem sempre a resposta será falando alguma coisa para elas. Ou seja, às vezes será necessário agir, tomar uma atitude, ter iniciativa e antes disso, coragem – principalmente nós homens que parece que temos medo de agir. No demais é como minha mãe me dizia: “Homem que é homem sabe o que quer”, “homem que é homem se mantém firme no que quer”, “homem que é homem tem uma posição definida”, “homem que é homem encara”, “homem que é homem fala e faz”, “homem de verdade assume o que faz”, “homem de verdade é reto, integro, sincero e principalmente verdadeiro, doa a quem doer”.

Vendo e observando minha mãe, percebi como as mulheres são generosas. Por quase 20 anos da minha vida, assisto minha mãe praticamente gritando e meu pai desatento ou com medo de agir. Não saber conversar, elas até compreendem. No entanto, não suportam falsidade ou um homem que não seja verdadeiro. Mesmo assim, amam acima de tudo e são capazes até de se anular em prol desse sentimento. Sempre foi e é claro pra mim o que meu pai teria que fazer para que, principalmente, a relação dele com minha mãe voltasse ao normal, se realmente ele quisesse. Afinal, ele era o responsável por aquela situação e só ele poderia mudar. Como eu costumo dizer: “Se foi competente para errar, precisa, no mínimo, ser tão competente quanto para corrigir e fazer o certo”. Não são coisas fáceis, mas também não são impossíveis. “Homem que é homem encara”!

Ironia ou não do destino, essa também é minha história. Não faz nenhum sentido para alguém que diz conhecer tanto permitir que esse tipo de coisa aconteça. Mas (...), aconteceu. Como já comentei em outras postagens, não conseguia (e de certo modo ainda não consigo) entender a relação entre mim e Deus. Desde criança fui ensinado sob uma educação cristã. Embora eu tivesse presenciado todos os problemas conjugais de meus pais durante minha infância, eu havia recebido uma boa educação. Sempre aprendi que Deus era, intercedia e cuidava dos seus. Bastava eu apenas ser sincero, abrir todo o meu coração e me dispor a ele. De certa forma não está errado, mas existe um equilíbrio que eu não enxergava. E por não enxergar esse equilíbrio, me frustrei. Fui me desencantando por tudo aquilo que tinha aprendido. Eu havia intensificado minha busca por Ele, pela intimidade com Ele, pela santidade (...) - como dizem, e nada acontecia! Não entendia como Deus em todo seu “poder e glória”, estava permitindo o que estava acontecendo com minha família! Ela estava afundando! E cadê Ele? Por quê? Por que se eu havia me entregado a Ele! Será que eu não podia ser a porta, o lugar de entrada pra que Ele agisse na minha casa? Acho que nunca confessei isso, talvez porque achasse meio infantil, mas ver minha família restaurada era meu único desejo. Eu estava em parafuso. A situação só piorava: minha família afundando, eu sendo excluída por ela por me dedicar a Ele e minha namorada morava longe! Que Deus era esse? Meu coração era dEle e Ele só estava me fodendo! Culminou quando fui afastado de minhas atividades na igreja por ter sido julgado como mau testemunho – sem direito a resposta, por uma “denúncia”. Ou seja, já eram sete anos de bom testemunho e que não serviram de nada! (...) Eu me revoltei! Qual era a dEle? Decidi “cair fora”. Já que eu não podia agradá-Lo, então eu iria incomodá-Lo, pensava. Você pode pensar “Quanta burrice!”. Francamente, não acho. Não teria problema nenhum se não existisse mais ninguém. No entanto, existia. E vejo que essa uma das grandes dificuldades e um dos maiores erros de nós homens de um modo em geral. Quando focam uma coisa, esquecem do resto. Às vezes focam o trabalho, ou esporte, ou a TV, ou o carro e acabam esquecendo e sacrificando família, namorada, esposa, filhos, amigos, pessoas próximas. No meu caso, minha rixa com Deus me fez descuidar e desproteger principalmente, até então, minha namorada. Em nome dessa minha luta, fui capaz de mudar tanto e fazer coisas que nem eu mesmo me reconheço. E não apenas com ela, mas com todos a minha volta, agindo de tal modo a ponto de manchar amizades, arriscando perdê-las, decepcionando pessoas que, até então, me “conheciam”. Mas ela, ela estava comigo, e eu a deixei perdida, insegura, confusa, fazer coisas as quais nunca faria a não ser por minha causa (...). Meu conflito com Deus tinha me feito perdê-la. Ou seja, pra saber onde eu estava pisando, eu perdi quem me fazia voar. Eu daria tudo e faria qualquer coisa para voltar no tempo e não desapontar as pessoas as quais se surpreenderam comigo pela minha posição, não machucar pessoas que não precisavam ser envolvidas da maneira como eu as envolvi, e principalmente, ter amado ela que estava comigo e não tê-la magoado.

Você deve estar se perguntando: “Tá, mas por que e pra quê tudo isso?”. Porque se tem uma coisa de que um homem de verdade é feito, é de verdade. E doa como doer, ela precisava ser restabelecida de forma nua e crua na minha vida novamente. É muito ruim estar de frente, olho no olho, e não ser reconhecido; falar a verdade e não conseguirem enxergar ela em você. Embora eu nunca tenha tido más intenções – e bem pelo contrário, minhas atitudes me puseram no mesmo nível de alguém mau caráter. Por um tempo eu tentei esconder algumas coisas e sabe, assim como mentir, omitir também tem perna curta. Mesmo que seja por uma boa causa, a verdade sempre foi, continua e continuará sendo o melhor caminho. E se eu quero acertar daqui pra frente e não repetir histórias como essa, esse é o primeiro passo. “Pra existir história tem que existir verdade”.

Toda essa história só serviu para que eu me conhecesse e pra que eu entendesse melhor algumas coisas. Podia ter sido diferente, mas parece que eu preferi o jeito mais difícil. Segundo a cultura, um homem só se torna um homem de verdade quando passa por algumas “provações”. E discorrendo a respeito, achei interessante uma que dizia que “não existem homem de verdade que não tenha ouvido não, ou seja, que não tenha sido rejeitado pela mulher que ama”. Eu passei e aprendi muito mais que isso. Como eu tenho costume de dizer, eu aprendi do modo inteligente, isto é, errando. Mas essa é uma lição não precisarei mais refazer, pois o mesmo erro não vou repetir. Hoje, sigo minha vida plantando para provocar o dia em que terei a oportunidade para fazer diferente. Não sei o que mais precisarei aprender. Mas aprenderei como um homem de verdade aprenderia.

Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas” (Prov.3:6).

Mulek

quinta-feira, 11 de março de 2010

Simplesmente Deus


Acho que Deus e o diabo às vezes se abraçam pelas costas tão largas que eles têm”. Foi a frase que uma vez eu ouvi de minha mãe. A primeiro impacto, você pode pensar no tamanho da blasfêmia ou heresia que ela havia falado. Mas, deixando a parte literal, consegue perceber a realidade dessa frase? Quero dizer, já notou ou quantas vezes temos o costume de transferir o sucesso de nossos atos ou a culpa de nossos erros (principalmente) para Deus ou o diabo? Alguns ainda podem pensar: “Mas isso é verdade!!!” Então deixe-me mudar o cenário: Você tem um filho e pede para que ele faça uma tarefa. Ele a principio sai para fazer, mas encontra um amiguinho que em meio ao papo sugere e diz para ir brincar e seu filho aceita. Quando você volta e o reencontra, você lhe pergunta sobre a tarefa e descobre que ele não fez. Então eu pergunto: Quem é o responsável pela tarefa não cumprida? Em um outro exemplo mais conhecido, quem levou a maçã até a boca de Eva?

Quando era menino, aprendi que Deus era como um pai, cuidando dos seus. No entanto, durante um tempo da minha vida ele estava mais para meu médico psiquiatra, sempre perguntado se eu poderia fazer alguma coisa ou tendo sua presença solicitada a todo momento. Não entendia como ele poderia ser pai e responsável por tudo o que eu fizesse. E sempre vi pessoas O buscando para tudo, literalmente tudo que fizessem. Não fazia lógica pra mim, pois meu pai não estava por perto para qualquer coisa que eu fizesse. Sempre ouvi pastores, e membros de igreja falando que o mérito era dEle. Mas como? Era óbvio que era a pessoa que havia feito ou conquistado aquilo! A única coisa que fazia sentido pra mim era de que essa pessoa tinha tamanha intimidade com Deus que eles conversavam a tal ponto que ela perguntava e Ele estava lá dizendo “agora faz isso”, “agora faz assim”. Caraca! Eu ficava pensando: “Como eu consigo isso?” Se essa pessoa conseguia eu também conseguiria. Mas como você pode desconfiar foi um fracasso total. Isso não existe. Não verdade, existiu. Segundo a bíblia, teve uma pessoa que andou tão próximo de Deus que Ele o tomou para si, simplesmente (Gen. 5:24). E aprendi que Ele não repete histórias. Ou seja, como já tinha acontecido com alguém não iria acontecer de novo. Não a esse ponto. No entanto, Ele continua querendo intimidade conosco. Mas como? Eu ainda não entendia. Estava na cara para mim que era algo difícil e complexo. (...)

Certo dia, ouvi meu pai conversando com minha avó. Dentro da conversa deles escutei algo que me chamou atenção de meu pai, falando assim: “Mãe, tudo o que sou hoje é por sua causa”. Primeiro pensamento que me veio era de como aquilo era possível. Conhecia a história do meu pai. Tudo o que o que ele havia conquistado e o que ele era, era pelo que ele havia passado durante sua vida. No entanto, meu pai estava a reconhecendo. Porque embora tudo fosse mérito do meu pai, o que deu base a ele havia sido a educação que minha avó tinha dado. Pense como um pai. Seu filho quando recém nascido precisa de você toda hora, a todo instante. Mas você não quer que seu filho fique assim pra sempre. Você quer ensiná-lo cada vez mais. Ensiná-lo a andar, a falar, a perceber, a escolher. Ensiná-lo para que ele faça sozinho. E ensiná-lo a tal ponto de confiar nele e em suas escolhas. Assim é Deus. O cuidado dEle é tão simples como se você fosse pai. E pra quem já é pai entende o que estou dizendo. Há momentos que você precisará intervir, dar uns puxões de orelha, etc, como qualquer pai que ama seu filho. Mas vai querer vê-lo continuar sozinho. Como se ele fosse uma continuação sua.

Quantas coisas fizeram sentido a partir desse momento! Eu sempre coloquei diante de Deus minhas necessidades, meus desejos e esperava-O agir resolvendo, ou facilitado, ou me dando um sinal. Qualquer coisa! Quanta inocência. Ele já havia me ensinado e me capacitado para alcançar meus sonhos, meus desejos. Eu só precisava agir. Então percebo que assim como meu pai, eu era responsável por todos os meus atos. Certos ou errados. E não Deus ou o diabo. Claro que, segundo a bíblia, sofremos influência de ambos os lados, mas a palavra final é nossa. A essência de nosso ser é Ele. Se simplesmente formos nós mesmos de forma integra e pura, estaremos cumprindo Sua vontade em nós, naturalmente, pois somos continuação dEle. Aí noto também como Ele é pratico. Apenas precisamos agir. Por isso devemos parar de buscar a Deus como algo externo, e sim buscá-Lo em nosso interior*, pois já somos parte dEle. Nós somos a chave para alcançá-Lo. E por isso que a bíblia diz que Ele está batendo a porta de nosso coração (Ap 3:20). Se você abrir...

Mulek


*Jung