quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Contra a Maré


O que fazer quando sua vida toma um rumo que não é o que você esperava ou que planejou? A princípio a resposta para essa pergunta é bem simples e francamente, eu também eu já a julguei assim, principalmente se esse rumo fosse à um lugar ou algo ruim. Mas não é bem assim. Sua vida só te trouxe coisas boas. Elas simplesmente foram acontecendo, e a cada novidade, uma a uma, só te acrescentaram e trouxeram paz e apoio de todos a sua volta. E então? O que fazer?

É uma coisa comum. Acontece a qualquer momento, com qualquer um, em qualquer e diferentes áreas da vida. Eu, por exemplo, queria ser arquiteto quando projetava uma carreira para mim, no entanto, sou um bom profissional na área de TI. Foi uma escolha. Uma escolha fácil e minha. Mas essa foi uma decisão simples pois era sobre algo superficial. Eu diria muito superficial. E sobre questões mais profundas? Como disse, acontecem com qualquer um, homens e mulheres. Mas as mulheres parecem ser mais espertas, mais inteligentes sobre questões mais profundas. Nós homens, embora sejamos mais práticos em questões simples ou superficiais, somos um tanto quanto mais burros ou desleixados, ou ainda desatentos em questões profundas. Entretanto, independente do gênero, às vezes fazemos pior. Às vezes misturamos, às vezes tentamos comparar, às vezes tentamos compensar, substituir as coisas. Conheço pessoas que são insatisfeitos com o namoro, mas o mantém pois seus pais, familiares, amigos e conhecidos apóiam a união. Pessoas que não amam seus companheiros, mas permanecem juntos porque, ele ou ela, faz tudo e de tudo ou tem dinheiro. Conheço pessoas que odeiam o trabalho, ou o curso que fazem na faculdade, mas continuam pois dá ou dará um bom dinheiro, ou porque é um sonho do pai. Você pode achar burrice, e eu vou te dizer que realmente é, mas acontece. São as “pazes” que o O Rappa descreve em sua música “Minha Alma”:

As vezes eu falo com a vida,
As vezes é ela quem diz:
"Qual a paz que eu não quero conservar,
Prá tentar ser feliz?"


Na nossa incansável busca pela felicidade, temos que escolher qual a paz manteremos, qual paz não conservaremos. Não quero dizer que o quadro pode mudar, isto é, você pode passar a amar uma pessoa que te faz tudo ou de tudo, ou gostar do seu relacionamento pois tudo a sua volta caminha a favor, ou você gostar do curso ou do trabalho pois seu pai fica feliz, se realiza e sente orgulho de você. Mas não sei se você percebe, isso além de ter uma data de validade nunca atingirá o seu potencial máximo. E por quê? Porque em essência não é a mesma coisa! O que irá acontecer quando a pessoa que você diz que ama parar de fazer tudo? Ou como fica o relacionamento que você diz que gosta quando as coisas de repente mudarem de direção e caminharem num sentido oposto ao seu relacionamento? E como fica o gosto sua carreira no dia em que seu pai se for? A cada dia que vivo, percebo que existem coisas que existem por simplesmente existirem, como o amor, como o gosto, como a afinidade. Ou seja, elas existem sem motivo, explicação ou porquê! São coisas profundas. E não há nada superficial que compense. Em outras palavras, não há paz superficial (externa) que recompense tanto quanto a paz profunda (interna). Percebo que, não poucas mas muitas vezes, acabamos nos condenando a uma vida medíocre quando preferimos uma paz superficial. E fazemos isso vários motivos: medo – do futuro, insegurança – de nós mesmos, dor – de experiências passadas, tristeza, solidão, pré-conceitos.

Eu estou terminando esse ano de 2010 não como planejei. Alias, estou terminando muito diferente de como eu imaginei. Mas estou terminando com minha vida de novo nos eixos. Não que ela estivesse no caminho ruim. Muito pelo contrario, muitas surpresas e muitas coisas boas eu recebi e aconteceram, coisas que me abriram os olhos, que mudaram meus planos, que mudaram minha vida. Mas eu precisava deixá-la de novo no caminho original, para que eu pudesse e possa usar todo meu potencial e atingir meu máximo e tenha a oportunidade de ultrapassar os meus limites. Não foi uma decisão fácil, muito menos fazê-la. Foi como se eu virado meu barco e colocado-o na direção contraria da correnteza. Todos indo pra um lado e eu para outro. Foi a paz que escolhi. Foi a paz que não escolhi. E como já disse aqui em outras postagens, nós sabemos realmente qual a verdade. O que muitas vezes não temos é coragem de nos mantermos atrás do que queremos e tentamos nos adequar a outras “verdades”. Não que nossa vida se torne uma mentira, mas, principalmente na vida, nem tudo que não é mentira é a verdade.

Thiago Mulek

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Ponto zero: o ponto de partida




Dessa vez, deixe-me começar com uma piada:

O amor não é aquilo que te ofusca a visão, te deixando sem enxergar... Isso se chama cegueira! O amor não pode ser isso!

O amor não é aquilo que te faz andar de um lado para o outro sem saber o que falar. Isso se chama gravidez inesperada. O amor não pode ser isso!

O amor não é aquilo que te faz subir às nuvens ou te transporta para lugares que nunca viu antes. Isso se chama avião. O amor não pode ser isso!

O amor não é aquilo que te faz perder o controle sobre seus atos. Isso se chama histeria. O amor não pode ser isso!

O amor não é aquilo que te faz perder a respiração momentaneamente. Isso se chama apnéia. O amor não pode ser isso!

O amor não é aquilo que te provoca arrepio ou calafrio. Isso se chama frio. O amor não pode ser isso!

O amor não aquilo que te deixa com a boca seca. Isso se chama sede. O amor não pode ser isso!

O amor não é aquilo que te deixa de pernas bambas em certos momentos. Isso se chama fraqueza. O amor não pode ser isso!

(...)


Essa poesia tem mais algumas estrofes, mas acho que você já entendeu qual é a idéia. É de autoria de Ederval A. da Silva, e se você é como eu deve ter ou estar se perguntando: “Porra, então o que é o amor?

Durante uma corrida, estava conversando com um velho conhecido e amigo sobre várias coisas, pois fazia muito tempo que não nos víamos e, logicamente, conversávamos. Até que relatando nossas experiências dentro da vida cristã, já que, além de nossa infância, temos isso em comum também, fui chamado atenção para uma passagem bíblica já conhecida minha, mas nunca vista assim. Trata-se de um texto que relata Jesus dizendo, em outras palavras, que não são mais dez mandamentos, mas dois. “O primeiro de todos os mandamentos é: (...). AMARÁS, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: AMARÁS o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes.” (Mar. 12:29-30). Como eu não havia percebido isso antes?! Isto é, A BASE DE TUDO É O AMOR! Só havia dois mandamentos e base era e é o amor! Eu estava estupefato! Tantas igrejas inventando “jeitos” e “receitas de bolo”, e “passes mágicos” etc, para serem “corretos” e viverem a vida cristã e o segredo está ali, há 2000 anos, debaixo do nosso nariz! Não estou levantando críticas, mas como já comentei em outras publicações, a vida com Deus e o seu reino são muito mais simples do que se é pregado.

Enfim, A priori, você pode ficar um tanto decepcionado indagando “Mas isso eu já sabia” ou “Ah! Agora que ele descobriu isso =\”, afinal não seria a primeira vez que nem eu nem você já escutou isso, mas se acompanhar vai entender que isso é muito palpável do que se imagina. Deixe-me explicar.

Bom, continuando nossa conversa, eu e meu amigo, vimos que as igrejas que pregam o evangelho dificilmente fazem o que Jesus faria se estivessem no lugar delas. E para os que já estavam pensando “ok, mas você não respondeu o que é o amor!”, lá vai: o amor é PRÁTICA! Nenhuma outra definição de amor tinha provocado um impacto tão profundo em mim quanto essa. Afinal, como saberíamos do amor de Jesus, autor do evangelho, senão por seus atos e feitos? Logo, lembrei-me de I Coríntios 13, conhecido como o capítulo do amor. Fiquei pensando: “Será que é possível alguém viver um amor como descrito nesse texto?” Com certeza, Jesus viveu-o aqui, mas ele era Deus na terra e embora ele tenha sido tentando como nós, pra ele deveria ser mais fácil. Será? Bom, esse não é meu foco e não quero entrar nesse assunto, mas meditando sobre o assunto lembrei-me de minha mãe. E sabe, ela viveu esse amor. Comecei a olhar tudo o que ela havia feito por mim e a meu favor, e percebi que, de um modo geral, vivemos e procuramos um conceito errado de amor. As pessoas procuram um amor avassalador que nos tire o controle e que não consigamos fazer outra coisa a não ser nos entregar. Aí você pode me perguntar decepcionado: “Então isso não existe?”. Existe, mas isso não é amor, é paixão. E outro paradigma que precisamos quebrar, é de que paixão é passageiro ou algo ruim, perigoso ou ainda algo separado do amor. Chega a ser irônico, mas depois de 25 anos, descobri que minha mãe é apaixonada por mim; e eu por ela, meu pai e meus irmãos. Gosto de pensar em paixão e amor como cozinhar. Por exemplo, se eu pegar feijão e apenas cozinhá-lo, será como qualquer outro feijão cozinhado. Mas se eu fizer um tempero e adicioná-lo ao fazer, é isso que vai identificá-lo como sendo meu. Ou seja, o que me faz rir, sorrir, chorar sozinho quando me lembro deles, o que me faz sentir saudades, o que me faz querer estar sempre perto, o que me faz apenas curtir a presença deles mesmo que seja em silêncio ou vendo TV, o que me faz esquecer qualquer dificuldade para vê-los, ou ainda superar qualquer briga ou ofensa, fraqueza ou limite deles, é a paixão. Porém quando viajo para vê-los, ou quando fico até tarde esperando algum deles no MSN só pra conversar, ou ajudo-os de alguma forma seja financeiramente ou dando conselho, apoiando ou apenas ouvindo, quando perdôo, aí então estou amando. Ou seja, você pode amar e ser apaixonado todos os dias de sua vida. Abrindo um parenteses, vejo que muitas pessoas, por não entenderem isso, acabam enfiando os pés pelas mãos e se ferindo. Você pode discordar de mim, mas acho vivemos um tempo privilegiado, onde não temos mais tradições ou compromissos para nos prender a relacionamentos, o que só nos deixa o verdadeiro motivo de eles existirem, ou seja, nossos sentimentos. No entanto, se é isso que queremos então devemos fiel a esses nossos sentimentos e ir até onde eles nos levarem(...).

(...)

Continuando. De repente, algo me assombrou. Se Deus era maior que tudo, conforme eu havia aprendido quando menino, então, o que era o amor? Afinal, Deus permitiu Jesus morrer em nosso lugar por amor! – João 3:16. Logo em seguida, me lembrei de um versículo bíblico que diz o seguinte: “Deus é amor” (I João 4:16a). Hein??? Parece tudo muito confuso, mas se parar por um minuto irá perceber que é só impressão. Pois, quando Deus fez o que fez, Ele simplesmente estava sendo Ele mesmo, sendo sua essência. O que me remeteu a outro detalhe. Há uma música, que eu cantei muito, mas que confesso não entender muito. Não até entender isso. O coro da música diz assim: Estou voltando à essência da adoração e a essência és tu”(...) - Essência da Adoração, de David Quinlan. Eu acredito já ter comentado em uma de minhas outras postagens, uma das coisas que mais me intriga é ver pessoas que, segundo as regras da igreja, estão no caminho errado, mas vivem de forma a serem melhores que muitos cristãos. E a verdade é que, enquanto as igrejas estão preocupadas com seus afazeres, compromissos dentro dos seus clubes do bolinha, pessoas livres dessa burocracia inventada de igreja, estão vivendo muito mais de Deus sendo simples e vivendo em amor. Afinal, Ele é amor. Como já escrevi, Deus é muito mais simples do que é pregado e viveremos muito mais dEle sendo nos mesmos, sem influências.

Fico pensando nesse amor de Deus. Há outra musica de David Quinlan, chamada Seu amor é extravagante, com um verso que nunca havia prestado atenção: “(...)Está o amor que cobre os pecados”. Na verdade, eu acho que já entendia, mas nunca tinha sentido isso. Quero dizer, um amor que não depende do que eu faça, mas que existe e me veja além dos meus atos. Há um versículo bíblico que diz que mesmo que uma mãe se esquecesse de seu filho, Ele jamais se esqueceria de nós (Isaías 49:15). Se o amor de minha mãe se compara a I Cor. 13, então imagina o de Deus em toda sua plenitude!

Sabe, a vida me ensinou e tem me ensinado muito. Meus olhos têm sido cada vez mais abertos. Hoje eu vivo também para viver esse amor em todas as áreas de minha vida e em toda a sua plenitude. Sei que amor não se prova, mas hoje eu vivo para provar que esse amor é possível, embora eu mesmo já tenha feito pessoas a desacreditarem nisso. Um amor que me conheça e me reconheça sob qualquer situação, que se deleite em tempos bons, mas que se fortaleça nas dificuldades, e apenas por existir, que cubra meus erros, que não tenha medo, que confie, que aposte, que enfrente, que defenda, que seja. Dizem que só vivemos esse amor uma vez na vida, não importando em que momento ele acontece, e que dificilmente o vivemos até o fim, pois é o amor onde sofremos. No entanto, muitos, depois de um certo momento, passam o resto de suas vidas tentando resgatar esse amor. E é engraçado – pra não dizer triste, como as pessoas naturalmente mudam pela dor, mas se incomodam de mudar por amor! Que Demagogia! O amor transforma! Quer um relacionamento perfeito? AME! Pois a perfeição não está em duas ou mais pessoas que são perfeitas, que não erram. A perfeição está nos altos e baixos, está justamente nas falhas um(ns) do(s) outro(s) que são supridas pelo amor.

Há muito mais coisas para eu entender, para eu aprender e muito mais palavras a escrever, mas sem isso, o resto seria apenas balela.

E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.” - I Cor. 13: 2.

Mulek

sexta-feira, 21 de maio de 2010

e que seja feita a vontade de Deus…


Bom, depois de um tempo, estou eu aqui de volta. =] Faz tempo que eu estava com esse assunto na cabeça, “ensaiando” para e como escrever, mas tenho reaprendido a perceber o momento certo para cada coisa e sobre o tempo de cada coisa – embora eu esteja atrasado com este.

Eu tenho vivido dias fora do comum. São dias intensos, provocando e testando meus limites em todos os âmbitos. Não que eu não goste, muito pelo contrário, são dias onde eu tenho aprendido bastante e são resultado de algo que eu tenho buscado e quero para minha vida toda: intensidade. Porém, não são dias fáceis. Sinto-me como se fosse um pedaço de ouro passando pelo processo de purificação torcendo para que tudo isso termine logo. E é isso o que mais tenho esperado e pensado: Quando isso vai terminar?

Tudo o que tenho vivido e passado é devido a uma escolha: buscar e viver tudo o que quero, em todas as áreas da minha vida. Por isso, fiz metas para todas elas e acredito que por isso tenho sido “exprimido” de todos os lados. Cansei de sofrer fugindo do quero, do que sinto, do que desejo; cansei de sofrer não encarando minha realidade e não agindo esperando que algo acontecesse como outrora. Porém, tenho ficado intrigado com o que irá acontecer. Tenho aprendido coisas que vão muito além do que eu quero ou preciso. Quando penso no que pode acontecer, nas possibilidades do meu futuro tenho todo tipo reações, desde empolgação a um frio na barriga. Mas tenho me mantido desesperadamente em silencio reaprendendo a crer. Ano passado, durante uma conversa ouvi que “tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus”. E assim como agora, cada vez que lembro essa frase, eu me animo com o que há de acontecer comigo ainda, pois mesmo quando “errado” sob o ponto de vista de alguns, amá-Lo sempre foi uma realidade em mim. Começo, então, a notar que tudo o que aprendi até hoje, seja em momentos de felicidade, de tristeza, de refrigério, de dor, de clareza, de confusão, de paz, descanso, de luta, de acertos ou erros, cooperará para o meu bem! Independente do que me aconteça, eu sei que vai acabar tudo bem, porque essa é a vontade de Deus. Ele quer que eu vá atrás do que eu quero e lute por isso; Ele quer que vá atrás do sinto e não tenha medo; Ele quer que eu não me intimide diante das dificuldades e que me mantenha firme; pois é isso que Ele me deu, é a vida que Ele me deu. A vontade dEle está no livre arbítrio que Ele me deu para eu escolher o que eu quero. Por isso cada um é diferente do outro. Ou seja, se você simplesmente for você mesmo, sem mascaras, sem malícia, sem influencias ou pressões, sem medo do quer e fiel a você mesmo, já estará cumprindo a vontade de Deus. Você pode achar esse papo um tanto quanto de um lunático. Como já mencionei, pode ser uma grande viagem, ou apenas uma invenção. Mas, deixando dela essa questão sobre acreditar ou não, andei pensando: quem inventou isso, é o maior inventor do mundo, pois eu nunca vi um nome fazer tanta diferença como esse faz. Eu, hoje, sou condenado e até julgado por alguns como sem credibilidade pelos meus erros. Imagina quando todos te menosprezam pelo que você fez. Até ironizo que Deus deve ser muito burro, porque Ele sempre está dando uma nova chance, uma nova oportunidade. Mas não. Ele simples e puramente tem algo que muitos de nós, se não todos, deixamos de entender e viver: o amor. Ele simplesmente consegue amar qualquer pessoa pelo que ela é e não pelo que ela fez. Existindo ou não, Ele é a segunda chance de muita gente.

E falando sobre o divino, é interessante como as pessoas tendem a extremos. Em tese não é culpa delas, pois normalmente fazem isso pelo medo, para evitar a dor ou mais dor. Não está errado, mas, não é o caminho para buscar a felicidade. É intrigante como a dor pode levar uma pessoa a espiritualizar tudo ou a ignorar o divino. No entanto, tenho percebido que todos que fazem isso ou estão fadados subviver na hipocrisia ou a cair em si mais cedo ou mais tarde. Esquecem ou não sabem que somos o equilíbrio perfeito entre alma, corpo e espírito (I Tess 5:23). Se você não come, seu corpo morre, então alma e espírito padecem. Se você tem medo ou inibi seus sentimentos, sua alma adoece e seu corpo e espírito padecem. Ex.: depressão. Se você não tem fé ou esperança, seu espírito fica fraco, então sua alma e corpo padecem. Ex.: suicídio. É por isso que me impressiono quando Jesus diz, segundo uma passagem bíblica, “Deixai vir os meninos* a mim, e não os impeçais; porque dos tais é o reino de Deus” (Mar. 10:14), pois as crianças não apenas são, mas vivem o equilíbrio perfeito.

E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.” - Rom. 8:28

Mulek


*"pequeninos", em algumas traduções; ou "crianças", na linguagem de hoje

quarta-feira, 17 de março de 2010

Um homem de verdade


Você já assistiu ao filme “Do que as mulheres gostam”? Acho um bom filme, embora concorde com a opinião de algumas mulheres que em alguns momentos é muito superficial. Mas a idéia é que normalmente as mulheres são mais misteriosas, mais intensas. Elas vivem num outro plano, aliás, superficialidade não é com elas, são mais profundas. Ao contrario dos homens, dificilmente literais – a não ser em casos extremos, isto é, dificilmente você irá entender o que elas querem apenas pelo que elas dizem. E é uma das coisas que mais ouço: “Não consigo entender o que ela quer!”.

Sempre sonhei e desejei que eu seria diferente, faria diferente. Desde criança escutei minha mãe desabafando ou me dizendo como deveria ser um homem. Passei grande parte da minha infância observando e presenciando comportamentos, ações e reações, atitudes, ou a falta delas, compartilhando sentimentos, e as conseqüências disso tudo. Não foi uma infância fácil ou normal, mas pela história de minha família eu havia me tornado um perito em entender as mulheres. E é engraçado como elas falam. Nunca tinha percebido como o “ditado” que diz que as mulheres falam até pelos cotovelos é verdade. Não simplesmente pela quantidade, mas pelo fato de falarem sem dizer uma única palavra. Eu estava com a chave nas mãos.

Não quero e nem vou escrever aqui algo do tipo “os segredos” nem uma “receita de bolo” de como entender ou conquistar as mulheres. Existem muitos livros tratando desse assunto e, sinceramente, acho um tanto ridículo. Principalmente os que usam desse tipo de leitura apenas em benefício próprio. Francamente, acho que se trata apenas de um bate-papo, uma conversa. Assim como quando você conversa com alguém, e não espera nada mais além do normal – atenção e resposta, é o que elas querem e procuram. Mas, como disse, nem sempre o que elas dizem sai em forma de palavras; o que significa que nem sempre a resposta será falando alguma coisa para elas. Ou seja, às vezes será necessário agir, tomar uma atitude, ter iniciativa e antes disso, coragem – principalmente nós homens que parece que temos medo de agir. No demais é como minha mãe me dizia: “Homem que é homem sabe o que quer”, “homem que é homem se mantém firme no que quer”, “homem que é homem tem uma posição definida”, “homem que é homem encara”, “homem que é homem fala e faz”, “homem de verdade assume o que faz”, “homem de verdade é reto, integro, sincero e principalmente verdadeiro, doa a quem doer”.

Vendo e observando minha mãe, percebi como as mulheres são generosas. Por quase 20 anos da minha vida, assisto minha mãe praticamente gritando e meu pai desatento ou com medo de agir. Não saber conversar, elas até compreendem. No entanto, não suportam falsidade ou um homem que não seja verdadeiro. Mesmo assim, amam acima de tudo e são capazes até de se anular em prol desse sentimento. Sempre foi e é claro pra mim o que meu pai teria que fazer para que, principalmente, a relação dele com minha mãe voltasse ao normal, se realmente ele quisesse. Afinal, ele era o responsável por aquela situação e só ele poderia mudar. Como eu costumo dizer: “Se foi competente para errar, precisa, no mínimo, ser tão competente quanto para corrigir e fazer o certo”. Não são coisas fáceis, mas também não são impossíveis. “Homem que é homem encara”!

Ironia ou não do destino, essa também é minha história. Não faz nenhum sentido para alguém que diz conhecer tanto permitir que esse tipo de coisa aconteça. Mas (...), aconteceu. Como já comentei em outras postagens, não conseguia (e de certo modo ainda não consigo) entender a relação entre mim e Deus. Desde criança fui ensinado sob uma educação cristã. Embora eu tivesse presenciado todos os problemas conjugais de meus pais durante minha infância, eu havia recebido uma boa educação. Sempre aprendi que Deus era, intercedia e cuidava dos seus. Bastava eu apenas ser sincero, abrir todo o meu coração e me dispor a ele. De certa forma não está errado, mas existe um equilíbrio que eu não enxergava. E por não enxergar esse equilíbrio, me frustrei. Fui me desencantando por tudo aquilo que tinha aprendido. Eu havia intensificado minha busca por Ele, pela intimidade com Ele, pela santidade (...) - como dizem, e nada acontecia! Não entendia como Deus em todo seu “poder e glória”, estava permitindo o que estava acontecendo com minha família! Ela estava afundando! E cadê Ele? Por quê? Por que se eu havia me entregado a Ele! Será que eu não podia ser a porta, o lugar de entrada pra que Ele agisse na minha casa? Acho que nunca confessei isso, talvez porque achasse meio infantil, mas ver minha família restaurada era meu único desejo. Eu estava em parafuso. A situação só piorava: minha família afundando, eu sendo excluída por ela por me dedicar a Ele e minha namorada morava longe! Que Deus era esse? Meu coração era dEle e Ele só estava me fodendo! Culminou quando fui afastado de minhas atividades na igreja por ter sido julgado como mau testemunho – sem direito a resposta, por uma “denúncia”. Ou seja, já eram sete anos de bom testemunho e que não serviram de nada! (...) Eu me revoltei! Qual era a dEle? Decidi “cair fora”. Já que eu não podia agradá-Lo, então eu iria incomodá-Lo, pensava. Você pode pensar “Quanta burrice!”. Francamente, não acho. Não teria problema nenhum se não existisse mais ninguém. No entanto, existia. E vejo que essa uma das grandes dificuldades e um dos maiores erros de nós homens de um modo em geral. Quando focam uma coisa, esquecem do resto. Às vezes focam o trabalho, ou esporte, ou a TV, ou o carro e acabam esquecendo e sacrificando família, namorada, esposa, filhos, amigos, pessoas próximas. No meu caso, minha rixa com Deus me fez descuidar e desproteger principalmente, até então, minha namorada. Em nome dessa minha luta, fui capaz de mudar tanto e fazer coisas que nem eu mesmo me reconheço. E não apenas com ela, mas com todos a minha volta, agindo de tal modo a ponto de manchar amizades, arriscando perdê-las, decepcionando pessoas que, até então, me “conheciam”. Mas ela, ela estava comigo, e eu a deixei perdida, insegura, confusa, fazer coisas as quais nunca faria a não ser por minha causa (...). Meu conflito com Deus tinha me feito perdê-la. Ou seja, pra saber onde eu estava pisando, eu perdi quem me fazia voar. Eu daria tudo e faria qualquer coisa para voltar no tempo e não desapontar as pessoas as quais se surpreenderam comigo pela minha posição, não machucar pessoas que não precisavam ser envolvidas da maneira como eu as envolvi, e principalmente, ter amado ela que estava comigo e não tê-la magoado.

Você deve estar se perguntando: “Tá, mas por que e pra quê tudo isso?”. Porque se tem uma coisa de que um homem de verdade é feito, é de verdade. E doa como doer, ela precisava ser restabelecida de forma nua e crua na minha vida novamente. É muito ruim estar de frente, olho no olho, e não ser reconhecido; falar a verdade e não conseguirem enxergar ela em você. Embora eu nunca tenha tido más intenções – e bem pelo contrário, minhas atitudes me puseram no mesmo nível de alguém mau caráter. Por um tempo eu tentei esconder algumas coisas e sabe, assim como mentir, omitir também tem perna curta. Mesmo que seja por uma boa causa, a verdade sempre foi, continua e continuará sendo o melhor caminho. E se eu quero acertar daqui pra frente e não repetir histórias como essa, esse é o primeiro passo. “Pra existir história tem que existir verdade”.

Toda essa história só serviu para que eu me conhecesse e pra que eu entendesse melhor algumas coisas. Podia ter sido diferente, mas parece que eu preferi o jeito mais difícil. Segundo a cultura, um homem só se torna um homem de verdade quando passa por algumas “provações”. E discorrendo a respeito, achei interessante uma que dizia que “não existem homem de verdade que não tenha ouvido não, ou seja, que não tenha sido rejeitado pela mulher que ama”. Eu passei e aprendi muito mais que isso. Como eu tenho costume de dizer, eu aprendi do modo inteligente, isto é, errando. Mas essa é uma lição não precisarei mais refazer, pois o mesmo erro não vou repetir. Hoje, sigo minha vida plantando para provocar o dia em que terei a oportunidade para fazer diferente. Não sei o que mais precisarei aprender. Mas aprenderei como um homem de verdade aprenderia.

Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas” (Prov.3:6).

Mulek

quinta-feira, 11 de março de 2010

Simplesmente Deus


Acho que Deus e o diabo às vezes se abraçam pelas costas tão largas que eles têm”. Foi a frase que uma vez eu ouvi de minha mãe. A primeiro impacto, você pode pensar no tamanho da blasfêmia ou heresia que ela havia falado. Mas, deixando a parte literal, consegue perceber a realidade dessa frase? Quero dizer, já notou ou quantas vezes temos o costume de transferir o sucesso de nossos atos ou a culpa de nossos erros (principalmente) para Deus ou o diabo? Alguns ainda podem pensar: “Mas isso é verdade!!!” Então deixe-me mudar o cenário: Você tem um filho e pede para que ele faça uma tarefa. Ele a principio sai para fazer, mas encontra um amiguinho que em meio ao papo sugere e diz para ir brincar e seu filho aceita. Quando você volta e o reencontra, você lhe pergunta sobre a tarefa e descobre que ele não fez. Então eu pergunto: Quem é o responsável pela tarefa não cumprida? Em um outro exemplo mais conhecido, quem levou a maçã até a boca de Eva?

Quando era menino, aprendi que Deus era como um pai, cuidando dos seus. No entanto, durante um tempo da minha vida ele estava mais para meu médico psiquiatra, sempre perguntado se eu poderia fazer alguma coisa ou tendo sua presença solicitada a todo momento. Não entendia como ele poderia ser pai e responsável por tudo o que eu fizesse. E sempre vi pessoas O buscando para tudo, literalmente tudo que fizessem. Não fazia lógica pra mim, pois meu pai não estava por perto para qualquer coisa que eu fizesse. Sempre ouvi pastores, e membros de igreja falando que o mérito era dEle. Mas como? Era óbvio que era a pessoa que havia feito ou conquistado aquilo! A única coisa que fazia sentido pra mim era de que essa pessoa tinha tamanha intimidade com Deus que eles conversavam a tal ponto que ela perguntava e Ele estava lá dizendo “agora faz isso”, “agora faz assim”. Caraca! Eu ficava pensando: “Como eu consigo isso?” Se essa pessoa conseguia eu também conseguiria. Mas como você pode desconfiar foi um fracasso total. Isso não existe. Não verdade, existiu. Segundo a bíblia, teve uma pessoa que andou tão próximo de Deus que Ele o tomou para si, simplesmente (Gen. 5:24). E aprendi que Ele não repete histórias. Ou seja, como já tinha acontecido com alguém não iria acontecer de novo. Não a esse ponto. No entanto, Ele continua querendo intimidade conosco. Mas como? Eu ainda não entendia. Estava na cara para mim que era algo difícil e complexo. (...)

Certo dia, ouvi meu pai conversando com minha avó. Dentro da conversa deles escutei algo que me chamou atenção de meu pai, falando assim: “Mãe, tudo o que sou hoje é por sua causa”. Primeiro pensamento que me veio era de como aquilo era possível. Conhecia a história do meu pai. Tudo o que o que ele havia conquistado e o que ele era, era pelo que ele havia passado durante sua vida. No entanto, meu pai estava a reconhecendo. Porque embora tudo fosse mérito do meu pai, o que deu base a ele havia sido a educação que minha avó tinha dado. Pense como um pai. Seu filho quando recém nascido precisa de você toda hora, a todo instante. Mas você não quer que seu filho fique assim pra sempre. Você quer ensiná-lo cada vez mais. Ensiná-lo a andar, a falar, a perceber, a escolher. Ensiná-lo para que ele faça sozinho. E ensiná-lo a tal ponto de confiar nele e em suas escolhas. Assim é Deus. O cuidado dEle é tão simples como se você fosse pai. E pra quem já é pai entende o que estou dizendo. Há momentos que você precisará intervir, dar uns puxões de orelha, etc, como qualquer pai que ama seu filho. Mas vai querer vê-lo continuar sozinho. Como se ele fosse uma continuação sua.

Quantas coisas fizeram sentido a partir desse momento! Eu sempre coloquei diante de Deus minhas necessidades, meus desejos e esperava-O agir resolvendo, ou facilitado, ou me dando um sinal. Qualquer coisa! Quanta inocência. Ele já havia me ensinado e me capacitado para alcançar meus sonhos, meus desejos. Eu só precisava agir. Então percebo que assim como meu pai, eu era responsável por todos os meus atos. Certos ou errados. E não Deus ou o diabo. Claro que, segundo a bíblia, sofremos influência de ambos os lados, mas a palavra final é nossa. A essência de nosso ser é Ele. Se simplesmente formos nós mesmos de forma integra e pura, estaremos cumprindo Sua vontade em nós, naturalmente, pois somos continuação dEle. Aí noto também como Ele é pratico. Apenas precisamos agir. Por isso devemos parar de buscar a Deus como algo externo, e sim buscá-Lo em nosso interior*, pois já somos parte dEle. Nós somos a chave para alcançá-Lo. E por isso que a bíblia diz que Ele está batendo a porta de nosso coração (Ap 3:20). Se você abrir...

Mulek


*Jung

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Será que é 4 x 4?


Eu estava com outro texto para publicar hoje, mas depois do que eu ouvi não pude e nem consegui me conter sobre o assunto.

Já notou que grande parte dos acidentes de transito são causados por pessoas ditos experientes? Estatisticamente, a maioria dos acidentes acontecem por pessoas com no mínimo 5 anos de carteira por falha humana. Fiquei analisando o fato. É interessante, pois, não que não aconteça quando somos inexperientes, mas, justamente quando somos novos, focamos e cuidamos de todos os detalhes para executar tal tarefa. Basta prestar atenção. Perceba que você mesmo ou qualquer um ao entrar no carro sendo um novo habilitado, entraria no carro, arrumaria o banco, colocaria o sinto, regularia os espelhos para depois colocar a mão na chave 3 ligar o carro. Qual o “experiente” que faz isso? Normalmente, entra-se no carro já ligando; dependendo da pressa, coloca-se o sinto e arruma-se o banco já em movimento, e os espelhos só quando precisa.

Já notou que fazemos o mesmo com nossas vidas? Com tudo que nos é novo, diferente e misterioso somos extremamente cautelosos, lentos e até medrosos. Primeiro dia de aula da nossa vida, primeira pedalada sem rodinhas de apoio ou sem ajuda, primeiro emprego, primeira vez que pedimos a conta mudar de emprego, primeiro namoro, primeiro carro, casamento – que em tese deveria ser só um, primeiro filho, primeira casa (...), enfim. No entanto, quando ficamos “experientes”, ficamos desleixados, descuidados; e por conseqüência, nossos acidentes são causados pela nossa “experiência” ou agravados por ela. Trazendo para minha experiência, fui criado num lar cristão. Sempre fui ensinado a saber a opinião de Deus para minhas atitudes. Sinceramente, não sou muito fã dessa idéia – mas isso é assunto da próxima publicação. Há um versículo na bíblia que diz que Ele é luz (I João 1:5). Sempre que viajávamos a noite, eu e meus amigos da / para a praia onde um deles tem casa, em dado trecho não havia iluminação, apenas os faróis do carro. Adivinha o que fazíamos? Quando não havia mais ninguém conosco naquele trecho, apagávamos os faróis e continuávamos dirigindo sem enxergar literalmente nada. É como se estivéssemos dirigindo de olhos fechados. Foi o que eu fiz na minha vida. Não quero colocar aqui uma relação direta entre mim e Deus, mas a questão é que, pelo meu contexto de vida antes eu era inconscientemente mais prudente, e agora eu estava confiante demais e fui descuidado, desleixado para tratar de assuntos importantes, complexos e delicados. Com meus amigos só fizemos isso em linha reta, mas eu tinha entrado em curvas, subidas, pontes na minha vida baseando-me apenas na minha “experiência”. E experiente ou não, sem luz não faz diferença nenhuma.

Antropólogos afirmam que “quando eu me lanço no mundo desconhecido, o que eu descubro é o meu mundo”. Eu me lancei. Francamente, não me arrependo por tê-lo feito, mas me arrependo pela forma como permiti as coisas acontecerem, pelo momento em que me lancei. Como na frase do filme “Um homem de famíla” (Family Man), “nunca coloque em risco o melhor da sua vida ou o que você tem de melhor porque você está em crise”. Não entendia isso. E já adiantando, dinheiro não se encontra na lista das melhores coisas da vida. E sim pessoas, família, amigos, relacionamentos. (...) Hoje, eu sei e conheço a mim. O que preciso e o que não preciso. O que quero e o que não quero; quem eu quero e como eu quero. É como se finalmente eu tivesse ligado os faróis. A boa notícia é que não capotei, mas terei que corrigir o trajeto e enfrentar um trecho desconhecido até chegar no caminho de volta que agora eu vejo. Espero que tenha tração nas 4 pra subir mais rápido. ;)

Mulek

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Provocando o destino


Existe um momento na vida de um homem em que ele deixa de escolher o que fazer pra fazer o que tem que fazer” (filme Desafio do Destino). Desde que ouvi, essa é (mais) uma das coisas que ficaram martelando em minha mente. É como se um ambiente fosse preparado pra você, ou como numa peça de teatro você tivesse um ato exclusivo, ou ainda como se numa música fizessem do nada uma virada pra que você fizesse um solo! Ou vai ou racha! Achei interessante a opinião de uma amiga minha que diz não gostar de fazer metas pra depois terminar o ano e descobrir que não as atingiu. Sinceramente, eu acho meio difícil alguém conseguir isso. Podem não dizer que é uma meta, mas sempre há algo que queremos muito, mesmo que isso não seja declarado. Comigo, nem que eu quisesse desfazer minhas metas já não daria mais. Na virada de ano, tive um “léro” com Ele e coloquei o que queria pra esse ano. Como já comentei (e de praxe sempre comento algo das outras publicações), 3 delas já se realizaram. Se é coisa da minha cabeça ou não, sinto como se Ele me dissesse: “Se é mesmo o que você quer, está aí!”. Ou seja, hora da verdade! Mas, embora esse ano tenha começado bem, há bastantes coisas ruins, conseqüências de erros cometidos em 2009. E sinceramente, quando meu dei conta, era como se Ele viesse até mim e dissesse: “O que você acha de parar de fazer cagada? Está na hora de virar homem de verdade!! Dessa maneira não vai dar pra continuar!”. De repente, sonhos que eu tinha quando mais novo vieram à tona, palavras que havia recebido se fizeram fresca em minha mente.

Meu tempo de menino tinha acabado (I Cor. 13:11). Poderia ter sido diferente, mas eu estava mais parecendo um piá de pirraça. Ano passado eu fui indagado por uma atitude madura. E tudo realmente reforçava e confirmava que eu tinha já estava no limite. A fidelidade dEle estava se fazendo real, palpável (Marcos 13:31). É engraçado, pois muitas coisas hoje não estão ao meu favor. Mas vendo o “andar da carruagem“, as coisas acontecendo e se encaixando, me traz tranqüilidade. É como se Ele estivesse me olhando e me desse um toque: “Eu não me esqueci disso. Mas se você realmente e/ou ainda quer isso, vai precisar começar a agir diferente.” Agir como um homem de verdade. Em verdade, integridade e retidão. Agir num padrão diferente e até como já havia agido num período da minha vida. Como Ele me fez. Vivendo e fazendo a minha história. E não repetindo uma história como Freud dizia ou imitando a história de um livro ou revivendo a história de outros.

Hoje, eu estou onde provavelmente eu deveria estar a muito tempo. Ele me disse que estaria comigo*. Sinceramente, não consigo entender muito a relação dEle comigo. Pra quem estiver lendo isso pode pensar que “IIIhhh! O Mulek pirou!!”. Sabe, eu também penso isso as vezes. Embora as coisas se encaixem e me levem a chegar a essa conclusão devido ao conhecimento que tenho, isso pode ser uma viagem. Uma grande viagem! Sinceramente, eu ainda espero algo maior da parte dEle. Algo que eu não me permita pensar ser coisa da minha cabeça. Algo que principalmente não tenha intervenção humana. Mas se só aprende a ter fé crendo, o único risco que eu corro é descobrir que a fé não existe e que o mérito é meu. Independente do que aconteça. E independente de como seja, é minha chance de ser mais intenso que antes. De mostrar que é possível. E em verdade. E como diz Charlie Brown Jr, “pra quem tem pensamento forte, o impossível é só uma questão de opinião”.

Mulek


*Surpresa entregue Gen.28:15a

sábado, 20 de fevereiro de 2010

“I need to take a piss”*


No início desse ano eu consegui definir metas para todas as áreas da minha vida. Surpreendentemente eu já consegui atingir 3 delas. Quem lê ou ouve isso deve pensar “puxa que legal”. Mas viver isso não é tão simples assim. Como comentei em outras postagens, 2009 foi o ano da decisão. Mas descobri que muito mais difícil que tomar uma decisão, é executá-la.

Pra executar algumas delas eu precisei fazer escolhas. Também não é simples, por que escolha significa que você vai ter que abrir mão de algo em prol de outra coisa que contribuirá para que você atinja a sua meta, o que você quer. E acredito que é a parte mais difícil, porque é a partir disso que as coisas começam a se materializar. É, também, quando você mostra mesmo se você realmente quer o que diz que quer. E sabe, não abrir mão ou não escolher, além de dificultar as coisas, pode significar perder ou não alcançar o objetivo. Pior que isso é quando não abrir mão coloca em jogo sua credibilidade.

Num de meus desabafos com Deus, quis saber o porquê de eu ter errado tanto. Nunca quis isso. Bem pelo contrário, num tempo religiosamente mais afinco, pedia forças para não errar, principalmente naquilo que eu condenava e condeno. Se as coisas fossem diferentes, em outras palavras, mais fáceis eu não teria errado tanto. No entanto, não sei se fui levado a lembrar ou simplesmente lembrei que também pedia intimidade, intensidade com Ele e sabedoria. Foi aí que entendi que na verdade o que me foi dado era a oportunidade para me tornar sábio e viver intensamente. E como já desconfiava e percebia, confirmei que Ele é simples. Eu esperava que algo extraordinário acontecesse e eu alcançasse o meu objetivo. Mas, todo bom pai sabe que se tudo é dado para uma criança, ela se torna mimada, cômoda e dependente. E tem mais, descobri que Ele não repete histórias. Ou seja, escolher, abrir mão, fazer, agir, é isso que torna as coisas intensas e traz sabedoria. Embora não sejam escolhas fáceis, mas são atitudes simples, e de grande impacto. O que Ele estava me dizendo e eu não estava entendendo era “Vai! Só fazer!”. Esse é mais uma das coisas que só se aprende fazendo.

Nessa semana, ouvi o seguinte conselho: “Viva de tal modo que você possa olhar todos de cabeça erguida”. Desde que ouvi, isso não saiu da minha cabeça. E notei que só a verdade é o que basta para que se possa viver assim. Viver a verdade, o que é verdade. Clara e escancarada. Sem nada oculto ou “meias” verdades, muito menos mentiras. Então, eu “fui mijar”*. E parece que Ele foi comigo ;) ** . Cansei de fugir, de me esconder; cansei de tentar não querer, cansei de viver o que outros acham melhor, de me deixar levar pela correnteza, de não ser eu, de não viver minha história. Não é o que alguns esperam, ou não é aceitável a algumas pessoas ou opiniões, mas como estava não poderia mais continuar, não poderia mais viver. Preciso ser eu. De novo. E agora muito mais que antes. Encarando e vivendo a verdade, e com tudo o que ela agrega hoje – acertos, erros, novidades (passado e presente). Em outras palavras, no mínimo tão competente para fazer diferente a partir de hoje quanto fui para errar. Claro, limpo e reto.

Mulek


*Referencia a uma fala do filme Rock Star
** Gen. 28:15a

domingo, 17 de janeiro de 2010

“Passarão o céu e a terra...”


Sinceramente, eu estava com outra idéia sobre o que escrever. Não sei o que tem acontecido (na verdade sei, mas isso é outro assunto), mas eu tive que falar sobre isso antes.

Bom, sobre o título, pra quem conhece, isso pode ser um “Ah, isso eu sei”, mas detalhe: eu também sabia. Mas, descobri que existe uma imensa diferença entre saber e conhecer, ou saber e viver, saber e sentir. No dito popular é o “cair a fichar”. É como a Lei da Gravidade de Newton. Você pode saber que se eu saltar de um avião sofrerei a aceleração da gravidade e pode até calcular a velocidade eu posso atingir. Outra coisa é você saltar e sentir a velocidade, as leis agindo sobre você – e adrenalina etc.

Meus últimos dias têm sido assim, ou seja, deixar de saber passando a entender, a conhecer, viver, sentir. Não estou colocando aqui algo sobre certo e errado, ou o que se deve fazer ou não. A questão aqui é que existem “leis” que regem a vida e quer você queira ou não, você saiba ou não, você sinta ou não, elas continuarão existindo e agindo. Há alguns dias, andei pensando sobre meu discurso na minha formatura sobre o divino em agradecimento a conquista. E não tenho conseguido chegar a outra conclusão a não ser esta: quer você acredite ou não, o divino irá continuar existindo. E não digo isso apenas por mim, mas porque percebo que as pessoas precisam disso. É um anseio da raça humana. Milhares ou milhões de anos sobre a face da terra e continua-se falando nisso; Tudo o que os escritos bíblicos relatam sobre Jesus e o que ele disse foi, recentemente, atacado intensamente pela mídia através de filmes, séries, livros, e por filósofos, cientistas, pensadores falando e alguns até comprovando a inexistência de Deus e daí? Pra que? Se analisarmos bem, tudo o que Ele disse continua vivo. Ele continua sendo tópico preponderante, a principal pergunta. Por quê? Por que isso faz parte do ser humano. É sua essência. Faz parte do mistério de ser humano.

Pra ajudar, um dos últimos livros publicados sobre o assunto, rebate todos argumentos que negam Deus e a fé. Aí você pode me perguntar: “E então, qual é a verdade?”. Acho interessante a expressão que, além de ser verdade, diz o seguinte: só se aprende a cozinhar, cozinhando. Karen Armstrong diz que a fé também funciona da mesma, ou seja, só se aprende a ter fé, crendo - The Case for God. E eu diria ainda que a chave sobre a fé e Deus é exatamente esta. Assim como a gravidade ela não precisa ser explicada e sim vivida. Embora a definição de Newton para a lei da gravidade tenha sido muito coesa e que é até hoje respeitada, quem me garante que essa é realmente a verdade? Sabe, assim como a lei da gravidade você pode não saber sobre ela, você pode saber e ignorá-la, isto é, não acreditar, ou você pode senti-la, vive-la. Você sempre poderá estar apenas em uma dessas condições e independente de qual você se encontre ela vai continuar existindo e atuando, agindo.

“Passarão o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão” – Marcos 13:31.

Mulek

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Virada


Quem ler isso aqui ao final vai acabar pensando que virei um velho. Por incrível que pareça, essa é a idéia. E sabe, tenho dois tipos de reação. Ao mesmo tempo em que fico apreensivo eu também fico aliviado, pois existem incertezas geradas por este “inside” só ter acontece agora, porém, aconteceu, e “antes de tarde do que mais tarde” ou “antes tarde que nunca”.
Eu tive uma virada no mínimo misteriosa. Terminei o ano de 2009 com algumas coisas se definindo, experiências intrigantes, e iniciei 2010 com direito a pular onda, fazer pedidos e bater um “lero” com Ele – o que era inevitável. Ontem eu fui a uma festa num lugar que eu nunca tinha ido. O lugar simplesmente supera qualquer expectativa. Estrutura fantástica, os DJs mais cotados, mulheres “top’s”, pessoas de alto poder aquisitivo, bebidas caras (...), enfim, tudo em um lugar só; tudo para ser A festa. No entanto, andando pelas pistas, assistindo a alguns fatos e até sendo ironicamente incluído em alguns não pude deixar de observar e concluir como aquele lugar era vazio. Vazio de humanidade, vazio de sentimento, de Verdade. Ou seja, tudo aquilo não passa de um monte de máscaras, poses, caras, bocas e maquiagem. Você deve estar pensando: Ele está falando da mesma coisa que ele escreveu antes?! E sim estou. Experimentei uma visão a La Arnaldo Jabor. Embora eu já entendesse, desta vez, eu vivi essa mensagem. É como presenciar um desastre acontecendo e não apenas ver no noticiário ou alguém contando. Nunca vi tanto desespero enrustido num lugar só. Gente procurando umas nos olhos das outras algo especial, procurando a exclusividade, procurando a singularidade, unicidade, sinceridade, singeleza; a procura de um “amor a primeira vista”, da “peça que é a minha peça” para fechar o quebra cabeça, da “tampa da minha panela” (...). Encurtando, eles estavam procurando a idiotice, o ridículo, estavam a “caça” de idiotas. De pessoas de verdade, com sentimentos, com virtudes e defeitos, com força e fraqueza, para ajudar e serem ajudadas. Estavam à procura daquilo que status nenhum compra. E sabe, não existe nada igual pra isso. É um estado onde nada te afeta, onde não existe tentação, não existe medo, não existe dúvida, nem tristeza, nem dificuldade, onde não se está perdido. É uma sensação de paz misturada com uma euforia de alegria que acredito não ter como descrever a não ser experimentando para saber e entender. Acredito que isso é estar plenamente feliz, isto é, completo. Não tem a ver com perfeição, pois defeitos continuarão existindo. Gosto de fazer uma analogia à “metade da laranja”, pois uma metade tem seu lado forte que é a casca, mas também tem seu lado fraco que é o miolo, exposto. Porém, quando ela “acha” e se junta com outra metade, não existe mais o lado fraco, pois agora ela está escondida e não mais exposta. São duas metades juntando seu lado fraco para terem apenas um lado: o lado forte.
Concluindo, como um bom velho, se eu pudesse voltar no tempo e me deixar um conselho, eu usaria o ditado tibetano que coloquei na minha ultima postagem: “Se um problema é grande demais, não pense nele... E, se é pequeno demais, pra quê pensar nele?”. O que eu quero dizer com isso? Não foque coisas ruins, problemas, dificuldades, dores. Não os valorize. Foque e valorize seus pontos fortes, foque soluções e faça tudo ao seu alcance por elas. Não é uma decisão fácil de ser tomada nem uma posição simples de ser mantida e vivida. Mas garanto que é a que mais vale à pena.

Mulek

Feliz 2010