segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Um idiota (de novo)


Quantos se lembram da construção da réplica da caravela em comemoração aos 500 anos do Brasil? Pra quem não sabe a caravela não navegava, não velejava, muito menos empolgava. Por quatro vezes a réplica tentou navegar, mas sem sucesso tendo que voltar ao estaleiro. Foi motivo de vergonha para a nação, pois há 500 anos engenheiros portugueses construíram a caravela original sem a tecnologia de hoje e ela navegou da Europa até a Bahia sem problemas. E atualmente, com tecnologia de ponta e motores possantes disponíveis, nossos engenheiros parecem ter perdido 500 anos de estudos e conhecimento. Você pode estar se perguntando: “O que isso tem a ver com o título”?

Recentemente, eu recebi uma publicação de Arnaldo Jabor. E sinceramente, de um modo geral, e até por experiência própria, parece que estamos tomando, ou alguma vez já tomamos, o mesmo rumo, só que com algo muito mais valioso que uma caravela: nossa vida. Se analisarmos pelo menos um instante, perceberemos o quão diferentes somos em um ou mais aspectos dos planos originais que tínhamos para nossas vidas. A profissão que tomamos por que o retorno financeiro é mais rápido, porém não é o que gostaríamos de estar fazendo; os bens que adquirimos para obter status, as pessoas com quem nos envolvemos, o meio ao qual nos incluímos, enfim, muitos dos objetivos que temos hoje são diferentes ou nem existiam quando começamos a pensar no nosso futuro. Mas eu ainda quero levar esse pensamento para um outro nível, para um outro prisma. Nossa percepção, nosso tato para fatos, surpresas, dores, alegrias (...) eram diferentes. Claro que éramos inocentes, mas conseguíamos ver o bem dentro das pessoas, compartilhávamos melhor as coisas, gastávamos mais tempo com elas, embora brigássemos nunca nos distanciávamos e se brigávamos, mas logo fazíamos as pazes, perdoávamos e esquecíamos. Valorizávamos os laços e não importasse situações boas ou ruins, esses laços ficavam cada vez mais fortes. Existia o “nós”. Tornamos-nos egoísta demais. O “meu” futuro, o “meu” gosto, as “minhas” dores, as “minhas” dificuldades (...). Cadê a “nossa” dificuldade, as “nossas” dores, o “nosso” gosto, “nossa” superação, “nosso” futuro (...)? Não que não devemos pensar em nós mesmos, mas só em nós é hipocrisia. Cadê o equilíbrio? Não nascemos para vivermos sozinhos!

Acontece, que tudo isso é idiotice! Hummm??? Bom, aí vai o texto.

O que temos visto por ai ??? Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micro e transparentes. Com suas danças e poses em closes ginecológicos, cada vez mais siliconadas, corpos esculpidos por cirurgias plásticas, como se fossem ao supermercado e pedissem o corte como se quer... mas??? Chegam sozinhas e saem sozinhas...Empresários, advogados, engenheiros, analistas, e outros mais que estudaram, estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos... Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dancer", incrível. E não é só sexo não! Se fosse, era resolvido fácil, alguém duvida? Sexo se encontra nos classificados, nas esquinas, em qualquer lugar, mas apenas sexo! Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho, sem necessariamente, ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico na cama ... sexo de academia... Fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormir abraçadinhos, sem se preocuparem com as posições cabalísticas... Sabe essas coisas simples, que perdemos nessa marcha de uma evolução cega? Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção...

Tornamo-nos máquinas, e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós... Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada nos sites de relacionamentos "ORKUT", "PAR-PERFEITO" e tantos outros, veja o número de comunidades como: "Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra viver sozinho!" Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários, em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis. Se olharmos as fotos de antigamente, pode ter certeza de que não são as mesmas pessoas, mulheres lindas se plastificando, se mutilando em nome da tal "beleza"...

Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento, e percebemos a cada dia mulheres e homens com cara de bonecas, sem rugas, sorriso preso e cada vez mais sozinhos... Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário... Pra chegar a escrever essas bobagens? (mais que verdadeiras) É preciso ter a coragem de encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa... Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia isso é julgado como feio, démodê, brega, famílias preconceituosas... Alô gente!!! Felicidade, amor, todas essas emoções fazem-nos parecer ridículos, abobalhados... Mas e daí? Seja ridículo, mas seja feliz e não seja frustrado... "Pague mico", saia gritando e falando o que sente, demonstre amor... Você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta mais...

Perceba aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, ou talvez a pessoa que nada tem a ver com o que imaginou mas que pode ser a mulher da sua vida... E, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso a dois... Quem disse que ser adulto é ser ranzinza? Um ditado tibetano diz: "Se um problema é grande demais, não pense nele....E, se é pequeno demais, pra quê pensar nele?" Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo, assistir desenho animado, rir de bobagens ou ser um profissional de sucesso, que adora rir de si mesmo por ser estabanado... O que realmente não dá é para continuarmos achando que viver é out... ou in... Que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo, que temos que querer a nossa mulher 24 horas maquiada, e que ela tenha que ter o corpo das frutas tão em moda na TV, e também na playboy e nos banheiros. Eu duvido que nós homens queiramos uma mulher assim para viver ao nosso lado, para ser a mãe dos nossos filhos. Gostamos sim de olhar, e imaginar a gostosa, mas é só isso, as mulheres inteligentes entendem e compreendem isso. Queira do seu lado a mulher inteligente: "Vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois, ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida"... Por que ter medo de dizer isso, por que ter medo de dizer: "amo você", "fica comigo"? Então, não se importe com a opinião dos outros. Seja feliz! Antes ser idiota para as pessoas que infeliz para si mesmo!

JORNAL O DIA! Arnaldo Jabor


Mulek

domingo, 20 de dezembro de 2009

“Acredita no divino?”


Com certeza, eu ouviria muitas respostas diferentes: “Eu não acredito em Deus!”, ou “Ah, eu acredito numa força maior!”, ou ainda “eu faço o meu destino”, ou “sim, eu acredito”. Na minha formatura, fui eu quem fez a homenagem a Deus. Engraçado, porque de todas as homenagens que poderiam ser feitas, essa era a que menos queria fazer. Mas, não sei que tipo de ligação eu tenho com Ele, que até mesmo não querendo a gente acaba se esbarrando. Enfim, essa semana, comecei a escrever por duas vezes e não consegui terminar. Tanto nas duas outras vezes como esta em circunstâncias diferentes, sentimentos diferentes, perspectivas diferentes. No fim de semana passado, acabei tenho algumas conversas importantes. E o desenrolar dessa semana foi interessante, pois algumas coisas que foram ditas foram como se tivessem se materializado; como se fossem sementes jogadas em algum tipo de solo num mundo paralelo e brotadas trazendo um efeito nesse mundo. Algumas pessoas dizem para ter cuidado com o que falamos, pois elas acontecem e por isso fiz aquela pergunta no início. Não sei se foi Deus, se é a vida, ou coincidência. Embora eu tenha uma posição definida com relação a isso, eu diria que chega a ser inexplicável. Até a metade dessa semana, estava pensando e analisando fatos que me ocorreram esse ano. Sinceramente, não consigo me entender, não consigo me enxergar, não consigo me reconhecer. Parece que eu estava numa espécie de automático – como no filme “Click”. Por um lado, não consigo entender como pude permitir alguns fatos, como pude tomar certas decisões, como tratei certas questões, como tratei certos acontecimentos, como tratei certas pessoas. E sabe, de certo modo, chega a dar desespero. O que pode ter acontecido, o que pode acontecer, o que pode ter se perdido. (...) São os gritos silenciosos. Não entendia essa expressão. É como se você fosse o único na face da terra a falar uma língua. É apenas você, sozinho. Falando, vendo ou sentido coisas que ninguém mais fala, vê ou sente.

Foi então que recebi uma mensagem de uma pessoa. Na minha formatura, eu proferi as seguintes palavras: “Há coisas que não se explicam e que nos diferencia é o divino”. Ou seja, não devemos buscar o divino, ou força maior, ou Deus como algo externo, pois o que nos diferencia já está dentro de nós. Só precisamos se fieis a nós mesmos, e viver o que somos. A mensagem que eu recebi atiçou de volta esse meu lado que estava adormecido. Eu nunca de deixei de acreditar em algumas coisas, na verdade apenas meus olhos foram abertos. Mas nesse dia eu tentei algo eu tentei algo diferente. A mensagem falava pra eu fazer uma coisa, e que eu seria “recompensado”. Usando um termo bem crente, eu resolvi “crer”. Por um instante, agi como um hipócrita. O que eu teria que fazer era até besta e ridículo, mas eu fiz mesmo assim. Mas, pior não poderia ficar. Pensei: “E se estão tentando me dizer alguma coisa e eu não estou entendendo?” Ou seja, embora eu estivesse falando um idioma que ninguém entendesse, poderia existir alguém* querendo me dizer alguma coisa e não estava entendo.

Enfim, eu precisava de uma informação. Na verdade, uma resposta. Irônica, estranha e sutilmente ela veio. Repetindo: “Há coisas que não se explicam”. Divindade ou não, coincidência ou não, algo aconteceu, alguma coisa se moveu, ou alguém moveu alguma coisa. Todas as questões a minha volta não estavam e ainda não estão resolvidas, mas indescritivelmente eu fui invadido por uma paz que chega a me deixar rindo sozinho. Você pode ler isso e me achar meio alienado, alguém mentindo pra si mesmo com medo de encarar a verdade, ou um idiota. Sem querer ser mal educado, mas pra você que pensou isso, eu diria “problema seu” pra não dizer “foda-se”. “Me chame do que quiser” - Lena Gino (orkut da minha mãe), pois se você não consegue entender a profundidade dessas palavras, sua opinião não interessa, muito menos a mim. Não sei se você já pensou assim, mas não importa o que façamos, se isso não for um passo, um degrau, algo que ajude a nos tornar felizes, então terá servido de que? Em outras palavras, se o objetivo não for felicidade, não vale à pena. E se pra ser feliz eu tenha que me passar por alienado ou idiota, então eu vou ser feliz.
Portanto, eu diria que, se queremos descobrir o “divino”, a “força maior”, ou se queremos a felicidade, deveríamos voltar a nós mesmos, ser fiéis e viver o que somos, pois os segredos estão ali. E até acho que estão ligados. (...)

Mulek

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Saudades


É enigmático como a saudade age. Misterioso como podemos reviver momentos: um cheiro, um olhar, um sorriso... Mas já sentiu saudades de você mesmo?
Sabe, amadurecer é tanto irônico, tem um ar de humor negro. Embora cresçamos e cada vez mais tenhamos a oportunidade de sermos melhores, na maioria das vezes, senão todas, temos uma mancha, um fato que contradiz essa nova realidade. Como mencionei anteriormente, esse foi O ano. Foram os meus dias ruins. Nesse ano, vivi coisas e situações, fiz coisas e agi como alguém que nunca fui e que sinceramente se pudesse, com a cabeça que tenho agora, voltaria no tempo para não fazer algumas coisas ou fazê-las diferente. Alguns diriam “se arrependimento matasse...”, e eu digo “ainda bem não mata”. Imagine! Não teríamos a chance de mostrar que aprendemos, não teríamos a chance de acertar, e, mesmo que eu fosse um gato, sete vidas seriam pouco... Esse ano continua sendo o pior que já vivi, mas foi o ano que me fez acordar. Como se eu tivesse que me reencontrar ou achar o equilíbrio novamente. No entanto, tudo tem um custo. Embora nos tornemos seres humanos melhores, isso tem um custo. No caso de Adão e Eva custou o Éden, irreversivelmente. Ainda bem estamos em outro tempo, porque embora a mim tenha custado muito, pode não ser irreversível (espero). Afinal, se não titubeei para errar ou tentar o duvidoso, porque o faria para o que é certo? Sinceramente, gosto da cabeça que tenho hoje, mas isso custou coisas importantes: pessoas, tempo, dor, sentimentos... Então percebo que “a ignorância ainda é uma benção” - by Matrix. Porque algumas experiências / conhecimentos não valem a pena. Infelizmente, é só depois de provamos dela é que sabemos se vale a pena ou não. Ainda bem, que como disse, não estamos no tempo de Adão e Eva... ;)

Mulek

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

2009...

Eu estou pra escrever isso faz um mês mais ou menos. Na verdade estava esperando mais um pouco, esperando alguma coisa, mas...

Antes, no começo, eu pensava em dizer sobre o ano de 2009, que acredito – e espero, ter sido o pior ano da minha vida. Ano esse que no início disse que seria o ano da decisão, e quem conviveu comigo nesse tempo sabe quantas situações inusitadas e inesperadas experimentei e que me fizeram tomar atitudes, decisões. Algumas certas, outras erradas. No entanto, certas ou erradas, ambas me trouxeram de volta, ou seja, me fizeram olhar pra mim, pra dentro de mim. Descobri que estar certo nem sempre vale à pena, nem sempre ter razão é o melhor; e que embora não se deve ter medo de tentar, isso não vale pra arrependimento.

A mais de um mês eu vivo como uma bomba com fogo no estopim, ou um copo cheio a mercê de mais um gota. E embora eu ainda viva nesse desespero silencioso, no início dessa semana ouvi algo que mudou minha perspectiva. Imagine que chato seria se nós não aprendêssemos com nossos erros? Simplificando, imagine se não errássemos? Se isso acontecesse não existiria crescimento, amadurecimento, não existiria surpresas, superação. Não existiria evolução. Viveríamos fadados a previsibilidade, ao marasmo do perfeccionismo humano, onde o tudo já é conhecido. Seria como já estarmos no fim. E se isso fosse verdade, onde ficaria os sentimentos de “valeu a pena”, o medo, a ansiedade; onde ficaria a intensidade, a “paz interior” que indescritivelmente reina independente de situação, onde ficaria o ânimo, a empolgação...

Ontem eu perdi uma das pessoas mais doces que fizeram parte da minha vida: meu Avô. Um homem que tinha um coração maior e muito maior que qualquer limite humano e que de uma forma muito simples foi intenso e exemplo de como viver. Esse seria mais um motivo para eu odiar esse ano, porque é mais uma pessoa que vai me fazer falta, aliás, já está fazendo. Mas, conhecendo meu avô, vendo minha avó, meus tios, percebo que se eu alimentasse isso não faria jus a ele e ao que ele deixou. Ser humano é hilário, isto é, ridiculamente engraçado. Infelizmente, em alguns casos – e às vezes mesmo sabendo, o erro é inevitável. Mas ainda bem que temos essa segunda chance de sermos inteligentes aprendendo com os próprios erros já que não fomos espertos para aprender com o exemplo e até erros de outros.

2009 mesmo sendo o pior, fica como um ano de crescimento. Continua sendo o ano de decisão, pois termino o ano tomando importantes decisões só que agora olhando para e convicto do que realmente importa, do que realmente “vale à pena”. E me preparo para 2010, profetizando um ano de surpresas. E surpresas boas.

Quero deixar esse último parágrafo como homenagem ao meu amado avô. Um homem reto, exemplo que mostrou e provou que o amor puro – e faço uma referência a I Coríntios 13, e a família unida existem. E que foi e o fez com simplicidade, desprovido de qualquer tipo de malícia. Fará e já está fazendo muita falta. Saudades.

Mulek