Com certeza, eu ouviria muitas respostas diferentes: “Eu não acredito em Deus!”, ou “Ah, eu acredito numa força maior!”, ou ainda “eu faço o meu destino”, ou “sim, eu acredito”. Na minha formatura, fui eu quem fez a homenagem a Deus. Engraçado, porque de todas as homenagens que poderiam ser feitas, essa era a que menos queria fazer. Mas, não sei que tipo de ligação eu tenho com Ele, que até mesmo não querendo a gente acaba se esbarrando. Enfim, essa semana, comecei a escrever por duas vezes e não consegui terminar. Tanto nas duas outras vezes como esta em circunstâncias diferentes, sentimentos diferentes, perspectivas diferentes. No fim de semana passado, acabei tenho algumas conversas importantes. E o desenrolar dessa semana foi interessante, pois algumas coisas que foram ditas foram como se tivessem se materializado; como se fossem sementes jogadas em algum tipo de solo num mundo paralelo e brotadas trazendo um efeito nesse mundo. Algumas pessoas dizem para ter cuidado com o que falamos, pois elas acontecem e por isso fiz aquela pergunta no início. Não sei se foi Deus, se é a vida, ou coincidência. Embora eu tenha uma posição definida com relação a isso, eu diria que chega a ser inexplicável. Até a metade dessa semana, estava pensando e analisando fatos que me ocorreram esse ano. Sinceramente, não consigo me entender, não consigo me enxergar, não consigo me reconhecer. Parece que eu estava numa espécie de automático – como no filme “Click”. Por um lado, não consigo entender como pude permitir alguns fatos, como pude tomar certas decisões, como tratei certas questões, como tratei certos acontecimentos, como tratei certas pessoas. E sabe, de certo modo, chega a dar desespero. O que pode ter acontecido, o que pode acontecer, o que pode ter se perdido. (...) São os gritos silenciosos. Não entendia essa expressão. É como se você fosse o único na face da terra a falar uma língua. É apenas você, sozinho. Falando, vendo ou sentido coisas que ninguém mais fala, vê ou sente.
Foi então que recebi uma mensagem de uma pessoa. Na minha formatura, eu proferi as seguintes palavras: “Há coisas que não se explicam e que nos diferencia é o divino”. Ou seja, não devemos buscar o divino, ou força maior, ou Deus como algo externo, pois o que nos diferencia já está dentro de nós. Só precisamos se fieis a nós mesmos, e viver o que somos. A mensagem que eu recebi atiçou de volta esse meu lado que estava adormecido. Eu nunca de deixei de acreditar em algumas coisas, na verdade apenas meus olhos foram abertos. Mas nesse dia eu tentei algo eu tentei algo diferente. A mensagem falava pra eu fazer uma coisa, e que eu seria “recompensado”. Usando um termo bem crente, eu resolvi “crer”. Por um instante, agi como um hipócrita. O que eu teria que fazer era até besta e ridículo, mas eu fiz mesmo assim. Mas, pior não poderia ficar. Pensei: “E se estão tentando me dizer alguma coisa e eu não estou entendendo?” Ou seja, embora eu estivesse falando um idioma que ninguém entendesse, poderia existir alguém* querendo me dizer alguma coisa e não estava entendo.
Enfim, eu precisava de uma informação. Na verdade, uma resposta. Irônica, estranha e sutilmente ela veio. Repetindo: “Há coisas que não se explicam”. Divindade ou não, coincidência ou não, algo aconteceu, alguma coisa se moveu, ou alguém moveu alguma coisa. Todas as questões a minha volta não estavam e ainda não estão resolvidas, mas indescritivelmente eu fui invadido por uma paz que chega a me deixar rindo sozinho. Você pode ler isso e me achar meio alienado, alguém mentindo pra si mesmo com medo de encarar a verdade, ou um idiota. Sem querer ser mal educado, mas pra você que pensou isso, eu diria “problema seu” pra não dizer “foda-se”. “Me chame do que quiser” - Lena Gino (orkut da minha mãe), pois se você não consegue entender a profundidade dessas palavras, sua opinião não interessa, muito menos a mim. Não sei se você já pensou assim, mas não importa o que façamos, se isso não for um passo, um degrau, algo que ajude a nos tornar felizes, então terá servido de que? Em outras palavras, se o objetivo não for felicidade, não vale à pena. E se pra ser feliz eu tenha que me passar por alienado ou idiota, então eu vou ser feliz.
Portanto, eu diria que, se queremos descobrir o “divino”, a “força maior”, ou se queremos a felicidade, deveríamos voltar a nós mesmos, ser fiéis e viver o que somos, pois os segredos estão ali. E até acho que estão ligados. (...)
Mulek
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