sexta-feira, 28 de maio de 2010

Ponto zero: o ponto de partida




Dessa vez, deixe-me começar com uma piada:

O amor não é aquilo que te ofusca a visão, te deixando sem enxergar... Isso se chama cegueira! O amor não pode ser isso!

O amor não é aquilo que te faz andar de um lado para o outro sem saber o que falar. Isso se chama gravidez inesperada. O amor não pode ser isso!

O amor não é aquilo que te faz subir às nuvens ou te transporta para lugares que nunca viu antes. Isso se chama avião. O amor não pode ser isso!

O amor não é aquilo que te faz perder o controle sobre seus atos. Isso se chama histeria. O amor não pode ser isso!

O amor não é aquilo que te faz perder a respiração momentaneamente. Isso se chama apnéia. O amor não pode ser isso!

O amor não é aquilo que te provoca arrepio ou calafrio. Isso se chama frio. O amor não pode ser isso!

O amor não aquilo que te deixa com a boca seca. Isso se chama sede. O amor não pode ser isso!

O amor não é aquilo que te deixa de pernas bambas em certos momentos. Isso se chama fraqueza. O amor não pode ser isso!

(...)


Essa poesia tem mais algumas estrofes, mas acho que você já entendeu qual é a idéia. É de autoria de Ederval A. da Silva, e se você é como eu deve ter ou estar se perguntando: “Porra, então o que é o amor?

Durante uma corrida, estava conversando com um velho conhecido e amigo sobre várias coisas, pois fazia muito tempo que não nos víamos e, logicamente, conversávamos. Até que relatando nossas experiências dentro da vida cristã, já que, além de nossa infância, temos isso em comum também, fui chamado atenção para uma passagem bíblica já conhecida minha, mas nunca vista assim. Trata-se de um texto que relata Jesus dizendo, em outras palavras, que não são mais dez mandamentos, mas dois. “O primeiro de todos os mandamentos é: (...). AMARÁS, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: AMARÁS o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes.” (Mar. 12:29-30). Como eu não havia percebido isso antes?! Isto é, A BASE DE TUDO É O AMOR! Só havia dois mandamentos e base era e é o amor! Eu estava estupefato! Tantas igrejas inventando “jeitos” e “receitas de bolo”, e “passes mágicos” etc, para serem “corretos” e viverem a vida cristã e o segredo está ali, há 2000 anos, debaixo do nosso nariz! Não estou levantando críticas, mas como já comentei em outras publicações, a vida com Deus e o seu reino são muito mais simples do que se é pregado.

Enfim, A priori, você pode ficar um tanto decepcionado indagando “Mas isso eu já sabia” ou “Ah! Agora que ele descobriu isso =\”, afinal não seria a primeira vez que nem eu nem você já escutou isso, mas se acompanhar vai entender que isso é muito palpável do que se imagina. Deixe-me explicar.

Bom, continuando nossa conversa, eu e meu amigo, vimos que as igrejas que pregam o evangelho dificilmente fazem o que Jesus faria se estivessem no lugar delas. E para os que já estavam pensando “ok, mas você não respondeu o que é o amor!”, lá vai: o amor é PRÁTICA! Nenhuma outra definição de amor tinha provocado um impacto tão profundo em mim quanto essa. Afinal, como saberíamos do amor de Jesus, autor do evangelho, senão por seus atos e feitos? Logo, lembrei-me de I Coríntios 13, conhecido como o capítulo do amor. Fiquei pensando: “Será que é possível alguém viver um amor como descrito nesse texto?” Com certeza, Jesus viveu-o aqui, mas ele era Deus na terra e embora ele tenha sido tentando como nós, pra ele deveria ser mais fácil. Será? Bom, esse não é meu foco e não quero entrar nesse assunto, mas meditando sobre o assunto lembrei-me de minha mãe. E sabe, ela viveu esse amor. Comecei a olhar tudo o que ela havia feito por mim e a meu favor, e percebi que, de um modo geral, vivemos e procuramos um conceito errado de amor. As pessoas procuram um amor avassalador que nos tire o controle e que não consigamos fazer outra coisa a não ser nos entregar. Aí você pode me perguntar decepcionado: “Então isso não existe?”. Existe, mas isso não é amor, é paixão. E outro paradigma que precisamos quebrar, é de que paixão é passageiro ou algo ruim, perigoso ou ainda algo separado do amor. Chega a ser irônico, mas depois de 25 anos, descobri que minha mãe é apaixonada por mim; e eu por ela, meu pai e meus irmãos. Gosto de pensar em paixão e amor como cozinhar. Por exemplo, se eu pegar feijão e apenas cozinhá-lo, será como qualquer outro feijão cozinhado. Mas se eu fizer um tempero e adicioná-lo ao fazer, é isso que vai identificá-lo como sendo meu. Ou seja, o que me faz rir, sorrir, chorar sozinho quando me lembro deles, o que me faz sentir saudades, o que me faz querer estar sempre perto, o que me faz apenas curtir a presença deles mesmo que seja em silêncio ou vendo TV, o que me faz esquecer qualquer dificuldade para vê-los, ou ainda superar qualquer briga ou ofensa, fraqueza ou limite deles, é a paixão. Porém quando viajo para vê-los, ou quando fico até tarde esperando algum deles no MSN só pra conversar, ou ajudo-os de alguma forma seja financeiramente ou dando conselho, apoiando ou apenas ouvindo, quando perdôo, aí então estou amando. Ou seja, você pode amar e ser apaixonado todos os dias de sua vida. Abrindo um parenteses, vejo que muitas pessoas, por não entenderem isso, acabam enfiando os pés pelas mãos e se ferindo. Você pode discordar de mim, mas acho vivemos um tempo privilegiado, onde não temos mais tradições ou compromissos para nos prender a relacionamentos, o que só nos deixa o verdadeiro motivo de eles existirem, ou seja, nossos sentimentos. No entanto, se é isso que queremos então devemos fiel a esses nossos sentimentos e ir até onde eles nos levarem(...).

(...)

Continuando. De repente, algo me assombrou. Se Deus era maior que tudo, conforme eu havia aprendido quando menino, então, o que era o amor? Afinal, Deus permitiu Jesus morrer em nosso lugar por amor! – João 3:16. Logo em seguida, me lembrei de um versículo bíblico que diz o seguinte: “Deus é amor” (I João 4:16a). Hein??? Parece tudo muito confuso, mas se parar por um minuto irá perceber que é só impressão. Pois, quando Deus fez o que fez, Ele simplesmente estava sendo Ele mesmo, sendo sua essência. O que me remeteu a outro detalhe. Há uma música, que eu cantei muito, mas que confesso não entender muito. Não até entender isso. O coro da música diz assim: Estou voltando à essência da adoração e a essência és tu”(...) - Essência da Adoração, de David Quinlan. Eu acredito já ter comentado em uma de minhas outras postagens, uma das coisas que mais me intriga é ver pessoas que, segundo as regras da igreja, estão no caminho errado, mas vivem de forma a serem melhores que muitos cristãos. E a verdade é que, enquanto as igrejas estão preocupadas com seus afazeres, compromissos dentro dos seus clubes do bolinha, pessoas livres dessa burocracia inventada de igreja, estão vivendo muito mais de Deus sendo simples e vivendo em amor. Afinal, Ele é amor. Como já escrevi, Deus é muito mais simples do que é pregado e viveremos muito mais dEle sendo nos mesmos, sem influências.

Fico pensando nesse amor de Deus. Há outra musica de David Quinlan, chamada Seu amor é extravagante, com um verso que nunca havia prestado atenção: “(...)Está o amor que cobre os pecados”. Na verdade, eu acho que já entendia, mas nunca tinha sentido isso. Quero dizer, um amor que não depende do que eu faça, mas que existe e me veja além dos meus atos. Há um versículo bíblico que diz que mesmo que uma mãe se esquecesse de seu filho, Ele jamais se esqueceria de nós (Isaías 49:15). Se o amor de minha mãe se compara a I Cor. 13, então imagina o de Deus em toda sua plenitude!

Sabe, a vida me ensinou e tem me ensinado muito. Meus olhos têm sido cada vez mais abertos. Hoje eu vivo também para viver esse amor em todas as áreas de minha vida e em toda a sua plenitude. Sei que amor não se prova, mas hoje eu vivo para provar que esse amor é possível, embora eu mesmo já tenha feito pessoas a desacreditarem nisso. Um amor que me conheça e me reconheça sob qualquer situação, que se deleite em tempos bons, mas que se fortaleça nas dificuldades, e apenas por existir, que cubra meus erros, que não tenha medo, que confie, que aposte, que enfrente, que defenda, que seja. Dizem que só vivemos esse amor uma vez na vida, não importando em que momento ele acontece, e que dificilmente o vivemos até o fim, pois é o amor onde sofremos. No entanto, muitos, depois de um certo momento, passam o resto de suas vidas tentando resgatar esse amor. E é engraçado – pra não dizer triste, como as pessoas naturalmente mudam pela dor, mas se incomodam de mudar por amor! Que Demagogia! O amor transforma! Quer um relacionamento perfeito? AME! Pois a perfeição não está em duas ou mais pessoas que são perfeitas, que não erram. A perfeição está nos altos e baixos, está justamente nas falhas um(ns) do(s) outro(s) que são supridas pelo amor.

Há muito mais coisas para eu entender, para eu aprender e muito mais palavras a escrever, mas sem isso, o resto seria apenas balela.

E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.” - I Cor. 13: 2.

Mulek

sexta-feira, 21 de maio de 2010

e que seja feita a vontade de Deus…


Bom, depois de um tempo, estou eu aqui de volta. =] Faz tempo que eu estava com esse assunto na cabeça, “ensaiando” para e como escrever, mas tenho reaprendido a perceber o momento certo para cada coisa e sobre o tempo de cada coisa – embora eu esteja atrasado com este.

Eu tenho vivido dias fora do comum. São dias intensos, provocando e testando meus limites em todos os âmbitos. Não que eu não goste, muito pelo contrário, são dias onde eu tenho aprendido bastante e são resultado de algo que eu tenho buscado e quero para minha vida toda: intensidade. Porém, não são dias fáceis. Sinto-me como se fosse um pedaço de ouro passando pelo processo de purificação torcendo para que tudo isso termine logo. E é isso o que mais tenho esperado e pensado: Quando isso vai terminar?

Tudo o que tenho vivido e passado é devido a uma escolha: buscar e viver tudo o que quero, em todas as áreas da minha vida. Por isso, fiz metas para todas elas e acredito que por isso tenho sido “exprimido” de todos os lados. Cansei de sofrer fugindo do quero, do que sinto, do que desejo; cansei de sofrer não encarando minha realidade e não agindo esperando que algo acontecesse como outrora. Porém, tenho ficado intrigado com o que irá acontecer. Tenho aprendido coisas que vão muito além do que eu quero ou preciso. Quando penso no que pode acontecer, nas possibilidades do meu futuro tenho todo tipo reações, desde empolgação a um frio na barriga. Mas tenho me mantido desesperadamente em silencio reaprendendo a crer. Ano passado, durante uma conversa ouvi que “tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus”. E assim como agora, cada vez que lembro essa frase, eu me animo com o que há de acontecer comigo ainda, pois mesmo quando “errado” sob o ponto de vista de alguns, amá-Lo sempre foi uma realidade em mim. Começo, então, a notar que tudo o que aprendi até hoje, seja em momentos de felicidade, de tristeza, de refrigério, de dor, de clareza, de confusão, de paz, descanso, de luta, de acertos ou erros, cooperará para o meu bem! Independente do que me aconteça, eu sei que vai acabar tudo bem, porque essa é a vontade de Deus. Ele quer que eu vá atrás do que eu quero e lute por isso; Ele quer que vá atrás do sinto e não tenha medo; Ele quer que eu não me intimide diante das dificuldades e que me mantenha firme; pois é isso que Ele me deu, é a vida que Ele me deu. A vontade dEle está no livre arbítrio que Ele me deu para eu escolher o que eu quero. Por isso cada um é diferente do outro. Ou seja, se você simplesmente for você mesmo, sem mascaras, sem malícia, sem influencias ou pressões, sem medo do quer e fiel a você mesmo, já estará cumprindo a vontade de Deus. Você pode achar esse papo um tanto quanto de um lunático. Como já mencionei, pode ser uma grande viagem, ou apenas uma invenção. Mas, deixando dela essa questão sobre acreditar ou não, andei pensando: quem inventou isso, é o maior inventor do mundo, pois eu nunca vi um nome fazer tanta diferença como esse faz. Eu, hoje, sou condenado e até julgado por alguns como sem credibilidade pelos meus erros. Imagina quando todos te menosprezam pelo que você fez. Até ironizo que Deus deve ser muito burro, porque Ele sempre está dando uma nova chance, uma nova oportunidade. Mas não. Ele simples e puramente tem algo que muitos de nós, se não todos, deixamos de entender e viver: o amor. Ele simplesmente consegue amar qualquer pessoa pelo que ela é e não pelo que ela fez. Existindo ou não, Ele é a segunda chance de muita gente.

E falando sobre o divino, é interessante como as pessoas tendem a extremos. Em tese não é culpa delas, pois normalmente fazem isso pelo medo, para evitar a dor ou mais dor. Não está errado, mas, não é o caminho para buscar a felicidade. É intrigante como a dor pode levar uma pessoa a espiritualizar tudo ou a ignorar o divino. No entanto, tenho percebido que todos que fazem isso ou estão fadados subviver na hipocrisia ou a cair em si mais cedo ou mais tarde. Esquecem ou não sabem que somos o equilíbrio perfeito entre alma, corpo e espírito (I Tess 5:23). Se você não come, seu corpo morre, então alma e espírito padecem. Se você tem medo ou inibi seus sentimentos, sua alma adoece e seu corpo e espírito padecem. Ex.: depressão. Se você não tem fé ou esperança, seu espírito fica fraco, então sua alma e corpo padecem. Ex.: suicídio. É por isso que me impressiono quando Jesus diz, segundo uma passagem bíblica, “Deixai vir os meninos* a mim, e não os impeçais; porque dos tais é o reino de Deus” (Mar. 10:14), pois as crianças não apenas são, mas vivem o equilíbrio perfeito.

E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.” - Rom. 8:28

Mulek


*"pequeninos", em algumas traduções; ou "crianças", na linguagem de hoje