Esse é o texto mais difícil que já escrevi. Em tese era para ter sido postado já há uns seis meses. Mas muita coisa aconteceu e sempre havia algo novo, uma nova descoberta, um novo entendimento que enriquecia, intensificava a ideia tanto que comecei, recomecei, escrevi, reescrevi(...). Tanta coisa que cheguei a desistir, no entanto, tenho aprendido a “escutar” e então decidi ir até o fim.
Para chegar nesse resultado, o processo foi grande e complexo. Além de fatos e acontecimentos, livros, filmes, músicas e suas letras, histórias, etc, entraram “na jogada”, preenchendo lacunas e espaços, aprimorando, amadurecendo, esclarecendo, revelando o que até então seria pra mim apenas uma intuição, talvez.
Pelos menos, pelos dois últimos anos, eu andei me evitando, fugindo de mim. Fiz coisas – e muita coisa, que não eram da minha índole, coisas que eu até condenava. Mas não porque eu era ruim, mas porque eu não queria ser mais eu ou que ou quem eu tinha sido. E por quê? Porque lembrar um certo Thiago trazia a tona lembranças que doíam, que me faziam chorar, me faziam sangrar.
Eu tinha mudado meu estilo de vida, pois relembrar aquele Thiago tinha um gosto amargo pelo fato de que eu não podia mais viver tudo o que ele havia vivido. E eu fiz de tudo mesmo para esquecer aquele tempo. Deixei de ir à igreja, deixei de tocar meu violão, deixei de orar, deixei de cantar, mudei minha forma de conversar, minha maneira de me relacionar. E é engraçado como externamente tudo muda. O olhar, o sorriso, a maneira de agir, a postura. Até as “pegadinhas” no msn eu fiz questão de cair nelas por achar que era melhor assim. Pra mim eu precisava esquecer, apagar aquilo de mim.
Mas se por fora você muda, por dentro isso não é uma possibilidade. Há coisas que nunca irão mudar. Você pode até sobreviver parecendo o que você não é, mas sobrevivência não é vida! E como aquele quem eu me apresentava não era eu, cometia erros dos mais variados. Dos bobos aos ridículos, dos banais aos idiotas. E assim comecei a aprender ou reaprender através dos meus erros.
De repente algo me assombrou. Durante minha jornada, eu havia aprendido e reaprendido várias coisas pela dor. Mas... será que só se aprende assim? Só vejo e escuto pessoas falando de lições que mudaram suas vidas baseadas na dor! Relacionamentos antigos, oportunidades perdidas, erros “imperdoáveis”(...). Será que o amor não teria nada a ensinar? Nada a me ensinar?
Como um raio, comecei a entender que embora eu fosse sentir falta daquele amor que uma vez eu vivi, eu já era aquilo. Aquele amor simplesmente havia revelado o meu melhor. Não tudo, mas sim em essência. Eu não podia mais evitá-lo, pois ele me fazia melhor! Era como o diamante sendo descoberto em meio à pedra bruta, quando lapidado. Era e é o meu “Amor para recordar”. Assim como no filme, embora eu esteja condenado a não viver mais esse amor, esse amor também foi minha salvação. Ele só tinha me ensinado a ser melhor, e não havia como não me lembrar disso. Não havia como ignorá-lo, pois ele fazia parte de mim. Mesmo que cada atitude minha, cada pensamento meu, cada rotina do meu dia, cada nota tocada ou verso cantado, me transportasse e me fizesse quase que ver, tocar, sentir, eu não podia mais fugir disso, pois estava gravado de mim.
Eu não vou falar nesse texto sobre Deus, mas creio que tudo tem um propósito. Talvez essa seja a minha marca. A marca que nunca permitirá que eu nunca mais me torne seco, superficial ou desatento. Porque o amor é assim, profundo, intenso, atencioso. Ou como uma vez eu ouvi, o amor até pode fazer sofrer, mas não há nada que se compare ou pague o preço de amar. Mesmo se for para sofrer, que seja amando.
“Porque o amor é assim; como o vento. Não se pode ver, nem tocar, muito menos controlar. Apenas sentir.” – Um amor para recordar (Nicholas Spark) – adaptado.
Thiago Mulek