quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Entrega




Com certeza esse é minha publicação mais aguardada – aguardada por mim mesmo =P. Quando criei esse blog foi pensando nesse texto. O título não era esse, até porque a idéia original desse texto era outra; pensei que no dia escrevesse esse texto minha realidade seria outra. No entanto, havia outras coisas reservadas à mim que mudaram não só a ideia e o titulo desse texto, mas minha realidade.

Esse blog criado em volta de um relacionamento. Um relacionamento que muito aguardei diante de Deus para viver. Nele estava toda a minha expectativa de experimentar algo que nunca alguém na face da terra havia experimentado e ser um ponto de referencia para todos os que viessem depois dele. Nele estava minha vontade de aplicar tudo o que havia aprendido vendo outros relacionamentos sobre o que fazer e o que não fazer, de materializar e presenciar o perfeito e de chegar no ápice do sentir e viver o sentimento mais simples e misterioso conhecido como amor.

Alguns anos se passaram. Minha vida tomou caminhos no mínimo inesperados, claro que, principalmente devido as minhas escolhas. Porém, por um bom tempo eu vivi quase que totalmente em função daquele relacionamento que já nem existia mais. E mesmo sem querer e até querendo esquecê-lo, eu o relembrava no meu dia a dia, por habilidades e costumes desenvolvidos naquela época. No café da manhã, no café da tarde, nescafé, pão sovado, peito de peru, passeio pela cidade, situações presenciadas, desabafos escutados, reações, gostos, brincadeiras, músicas, etc, enfim, quase tudo me lembrava aquele tempo. Por um lado eu parecia salvo, pois algumas dessas coisas pareciam ter me preparado para enfrentar algumas(várias) coisas. No entanto, era uma faca de dois gumes, pois mesmo que eu estivesse prevenido, pôr certas coisas em pratica eram doloridas. E quanto mais intensa era lição, mais intensa era a facada, mais coisas vinham à tona, mais eu lembrava coisas que eu queria esquecer.

E meu blog foi registrando cada fase. Cada sentimento, cada dor, momentos confusos, momentos de loucura, as lições, o aprendizado(...). Mas também registrou – para os atentos, minha inquietação e eterna busca por conhecer e viver algo diferente de tudo aquilo que já havia presenciado. Então, resumindo, houve um dia que a dor era tamanha que se tornou insuportável! E foi nesse momento que começou minha lição que acredito ser a mais importante hoje pra mim. A entrega!

Eu fui criado num lar cristão. Nasci, ouvi, aprendi, cresci e vivi muito sobre o padrão que Deus tem para cada ser humano. Quando eu falava de entrega, a entrega pra mim sempre foi daquilo que eu tenho de melhor1, para que Ele tornasse aquilo melhor ainda, e para que eu não desse lugar ao orgulho e me gabasse por aquele dom ou aquela habilidade. Realmente esse é um tipo de entrega. Porém não é a única.

Depois de certos acontecimentos, e pra mim inexplicáveis, decidi “criar” o meu padrão de vida. Aqui você pode achar que eu me transformei completamente, fazendo as coisas só pensando em mim e nao pensando ou me importando com mais nada. Mas não! De fato algumas coisas eu deixei de fazer e outras eu comecei a fazer. Porém, eu continuava o mesmo. O que eu não sabia, é que aquele meu padrão não me levaria a lugar algum, pois ele havia sido criado baseado na dor, alias, criado para fugir da dor. E como qualquer ferida profunda, ela não se cura sozinha. É necessário que você talvez precise pegar uma escovinha e lavar com sabão, ou que precise abrir ainda mais ferida para tirar algo lá de dentro que impede a cura, ou então, para os que são do tempo que mertiolate ardia, você tenha que derramar um pouco dele, ou ainda, talvez você precise de uma ajuda especializada, de um médico, de um cirurgião (...). Ou seja, até você encarar o fato de que você terá que mexer nessa ferida, ela não só continuará existindo, como também aumentando.

Hoje eu compreendo tudo isso, mas quando você está lá no meio de toda aquela confusão de sentidos, razões, sentimentos, você não consegue perceber a realidade. Então algo precisou acontecer para que eu começasse a ver diferente.

Exatamente nessa época conheci pessoas cujo padrão era o mesmo daquele que eu tinha alguns anos atrás. No entanto, algo era diferente neles. Não havia fardo, nem peso, havia simplicidade e pureza. Deus os havia colocado em meu caminho para me abrir os olhos. E ver aquilo me perturbou tanto como um machucado em estagio avançado que fica extremamente sensível, e a simples brisa do remédio já causa reações.

Então, houve um dia que a dor era tamanha que se tornou insuportável! Eu não sabia o que fazer com aquela dor, e mesmo que eu soubesse, eu não sabia como fazer! Eu estava em desespero. Eu estava entendendo mais um tipo de entrega. Eu estava entendendo que precisava entregar também a minha dor2! Porém, aquilo não era legal nem bonito; não havia louvor nem beleza. Muito pelo contrario, era feio, fedido, nojento, humilhante, vergonhoso. Tudo o que de pior havia em mim estava ali. Minhas imperfeições, minhas fraquezas, minhas falhas, minhas dores, meus machucados, minhas decepções. Por um bom tempo eu tentei ignorar, esconder, controlar, mas aquilo só me corroía mais. Eu não aguentava mais. Eu estava sucumbindo.

E assim foi. Eu já havia entregado o melhor de mim. Agora, eu estrava entregando o pior de mim. E aqui você pensar: “agora ele se entregou por completo!”. Pois é, eu também pensei.

Após essa entrega, minha vida passou por um período de restauração. Padrões, princípios e valores foram trabalhados, reestabelecidos e aperfeiçoados. Perdões foram liberados, pedidos de perdões foram feitos, mentiras foram desmascaradas, restituições foram feitas, honras foram restauradas (...). Detalhe por detalhe, Deus foi me dizendo, eu fui O ouvindo e Ele foi me dando oportunidades e condições para agir, e eu, por fé, fui agindo.

Durante esse processo, tive um momento ala Pedro (Mateus 14:27-31). Comecei olhar paras as coisas que Deus estava me dizendo e me preocupar sobre meu futuro. Aos meus olhos, havia muita coisa para eu fazer para então estar liberado para o futuro! E se eu não conseguisse de primeira? E se fosse difícil? E se eu demorasse pra fazer? Como seria? Eu ia perder tempo? De novo, havia algo novo para entregar. Meu futuro3! Eu não precisava me preocupar com isso, mas de alguma maneira eu me permiti gastar algum esforço, mesmo que fosse planejando, em função disso. Meu futuro era e é um detalhe, e a Ele pertence. Se mesmo andando meu próprio caminho Ele cuidou de mim, agora nao seria diferente. Eu só precisava e só preciso manter o foco nEle.

Agora parece completo, não? Meu melhor, meu pior, e o meu futuro. O que mais haveria que tivesse que entregar? Pois então, Ele tinha ainda algo mais para me surpreender.

Em cima de um sonho antigo meu, Deus me permitiu realizá-lo na condição mais inesperada que eu podia imaginar. Simplesmente do nada, depois de tudo encaminhado, de repente tudo começou a dar errado. Parecia que eu tinha entrado numa maré de azar. Tentativa por tentativa, todas as minhas opções e possibilidades foram reduzidas a zero! Não havia fuga, não havia saída. E agora? E porque? A resposta para essa primeira pergunta, eu não sei, mas para a segunda, alguma coisa Ele queria me mostrar.

Sinceramente, eu fiquei tenso, muito tenso. Então, voltando para casa, quieto e tenso e meio que sem entender nada, Ele me lembrou da passagem de Mateus 8:24-26*. O texto refere-se ao episódio quando os discípulos vão até Jesus que estava no mesmo barco que eles, e que estava dormindo e o acordam temendo a tempestade. Automaticamente, eu compreendi o Ele estava me dizendo. O HOJE4! Era isso que Ele queria que eu entregasse.

Os meus dias aqui têm sido apenas crer. Crer que Ele sabe e tem o controle de todas as coisas e que nEle está a provisão para todas elas. Meu único “dever” é estar atento quando e ao que Ele disser. Nada mais! É uma entrega que foge ao convencional. Afinal, entrega significa confiar responsabilidade de alguma coisa a alguém. Dons, dores e futuro são coisas que podem ser acompanhadas e possíveis de se preverem e de serem visualizadas (ou pre-visualizadas). Isto é, quando você entrega essas coisas você tem uma noção do que vai acontecer. Mas, o hoje, o agora, não há como ter ideia do que pode acontecer. Não existe dedução! Só se sabe depois que aconteceu e se aconteceu! Às vezes vai parecer que Ele não está vendo e que nada acontece, mas te garanto que TUDO acontece ao seu tempo!  Basta confiar*!

E por último, Deus tem me ministrado sobre a motivação do coração5. Ou seja, quais as reais intensões do nosso coração. Entregar dons, dores, futuro e até mesmo o presente são coisas que normalmente criamos expectativas de volta. E se não estivermos bem focados e com nossas motivações entregues a Ele, corremos um grande risco de sutilmente sermos atraídos pelas coisas que acontecem a nossa volta. Não estou dizendo das dificuldades ou problemas. Estou falando das maravilhas. Das maravilhas que Ele faz conosco, em nós e através de nós. Se não estivermos com nossos olhos fitos nEle, ficaremos tão maravilhados com as coisas que Ele estará fazendo que passaremos a olhar para essas coisas. Usando de um chavão, "devemos deixar de olhar o que Suas mãos estão fazendo, e sim olhar para Sua face e Seu coração".

Esse meu blog, entrou junto na minha segunda entrega. Exceto por algumas postagens, por um bom tempo registrou quão confusa e complicada se torna a vida de alguém sem Deus, tentando entender sentimentos, fatos, porquês, razões, etc. Esse blog era uma parte da minha dor. Hoje ele é testemunha do grande amor de Deus e prova do que Ele pode fazer.

Tenho conhecido e reconhecido o poder e o controle absoluto de Deus sobre minha vida e tudo a minha volta a cada dia, pois há nada que escapa de Seus olhos. É como um pai que assisti seu filho aprendendo a andar. Às vezes o filho anda sozinho, às vezes balança, engatinha, às vezes chora e às vezes cai. E sempre que precisar o pai irá acudí-lo, pois seu filho nunca longe de seus olhos. Como já escrevi num outro texto, “o agir de Deus começa quando o nosso termina”. É nesse momento que milagres acontecem, provisões chegam, coisas sobrenaturais surgem, portas se abrem, saídas apresentam-se. E só existem duas maneiras de “o nosso agir” terminar: quando todas nossas opções se esgotam ou quando nos entregamos.





Thiago Mulek

1 - E deverão apresentar como contribuição ao Senhor a melhor parte, a parte sagrada de tudo o que for dado a vocês. Números 18:29;

2 - Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso. Mateus 11:28;

3 - O meu futuro está nas tuas mãos; livra-me dos meus inimigos e daqueles que me perseguem. Salmos 31:15;
Senhor, tu és a minha porção e o meu cálice; és tu que garantes o meu futuro. Salmos 16:5;
Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã se preocupará consigo mesmo. Basta a cada dia o seu próprio mal. Mateus 6:34

4 - Respondeu Abraão: "Deus mesmo há de prover o cordeiro para o holocausto, meu filho". E os dois continuaram a caminhar juntos. Gênesis 22:8;

5 – Dá-me, filho meu, o teu coração, e os teus olhos observem os meus caminhos. Provérbios 23:26
Sonda-me, Senhor, e prova-me,examina o meu coração e a minha mente; Salmos 26:2;
Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece as minhas inquietações. Salmos 139:23;

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Os “Bem-aventurados”


Tirando o blog das teias...

Bom, como todos os últimos textos, esse é mais um que já era pra estar publicado. Eu já tinha essa “palavra” a muito tempo, mas ainda estou aprendendo ainda sobre ser disciplinado. =P Eu chego lá. ;)

Há algum tempo essa palavra me chamou a atenção: “Bem aventurado”. É um vocábulo bíblico. Eu já ouvi e vi algumas traduções e pregações a respeito desse vocábulo. A maioria deles diz que “bem-aventurado” é mesmo que “extremamente feliz”, ou seja, ao invés de ler “bem aventurado”, eu poderia substituir por “extremamente feliz”.

Não tenho nada contra essa tradução e também não vou dizer que está errado. Bem pelo contrario, eu concordo, mas creio que existe um significado ainda mais profundo por debaixo dessas palavras. Quanto mais conheço das coisas divinas mais vejo como ainda não conhecemos a Ele, e com isso vivemos de maneira equivocada. Isso não quer dizer que quem creu diferente até então perdeu alguma coisa, ou que eu ou qualquer outra pessoa seja melhor ou pior por isso, até porque segundo a própria palavra, “amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento” (Marcos 12:30a), isto é, se você entende muito ou pouco da palavra da bíblia, por exemplo, não importa! O que importa é que você deve usá-lo todo ele para amar a Deus! No entanto, ter mais ou menos conhecimento é como mexer em um aparelho elétrico sem ler o manual. Além de ter alguma dificuldade para usá-lo, é possível que você não descubra todas os recursos que aquele aparelho possui. E em se tratando da bíblia, quanto mais eu a estudo percebo que as palavras que estão ali não estão ali apenas pela casualidade da tradução, mas estão ali justamente para transmitir a plenitude da grandeza divina.

...

Bom, tudo começou porque “Bem-aventurado” não é uma expressão comum. Enfim, eu me perguntava o porquê daquela expressão. Afinal, se fosse pra dizer “extremamente feliz” porque ele já não escreveu isso? Ou então um sinônimo? E pra piorar, haviam versículos que ficavam sem sentido – “Extremamente feliz” sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa (Mateus 5:11). Tipo, embora focado nEle, eu não ficaria feliz com gente falando mal e mentindo a meu respeito! Alguma coisa estava faltando...

Bem-sucedido! Meu insight* (ou revelação, ou eureka, ou “ficha que caiu”) aconteceu quando me lembrei dessa palavra. Segundo o dicionário Michaelis, “sucedido” significa “aquilo que aconteceu ou realizou”. Ou seja, não é comum falar de alguém “ele é um cara sucedido”, até porque essa frase só quer dizer que ele fez alguma coisa, que realizou alguma coisa. Agora, dizer “ele é um cara bem-sucedido” quer dizer que aquilo que ele fez deu certo!

As coisas começaram a fazer sentido. Bem-aventurado é um aventura que deu certo! Alguém que se aventurou e atingiu seu objetivo! Deus já sabia que seria uma aventura, mas já deixou escrito que é uma aventura que resulta em satisfação, alegria, felicidade. Eu já estava satisfeito com esse entendimento, quando fui levado a ver no próprio Michaelis a definição de aventurar: “Expor(-se) à boa ou má sorte; arriscar(-se); Ousar dizer ou fazer”. Foi então que lembrei e entendi também que toda aventura tem seu risco e seus momentos de dificuldade. Bem-aventurar-se é se expor, é ousar, porém, por mais difícil que seja ou arriscado, atingir o objetivo é garantido.

A bíblia tem 92 vezes essa expressão. Em varias delas, causa e consequência, prova e prêmio, dificuldade e benção, peleja e galardão são colocadas uma pós a outra, isto é, qual é benção conquistada pela aventura. “Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus” (Mateus 5:9). Em outras palavras, aqueles que ousarem e ousam ser pacificadores, esses, no final da aventura, serão chamados filhos de Deus.

Thiago Mulek

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Fé, um estilo de vida


Eu estava me preparando para escrever um outro texto, mas como disse no texto anterior, estou aprendendo a “ouvir”, então(...). Ele sabe de todas as coisas.

A partir de hoje, ou dessa postagem, começo a escrever um outro tipo de texto. Na verdade, continuo e mantenho o foco, só que agora sob uma outra perspectiva ou outro foco. No entanto, também haverão alguns textos com assuntos específicos na qual estarei também compartilhando conforme eles forem “ministrados” a mim.

Sendo assim...

Você sabe a diferença entre crer(ou ter fé) e acreditar?”. Assim como eu, você talvez instintivamente possa ter respondido “Nenhuma!”. E não está errado. Gramaticalmente você está certo. Inclusive no dicionário uma palavra faz referência à outra. Mas acho que se a nossa busca fosse pelo português ou pela gramatica, duvido que eu estaria escrevendo um blog e você lendo. (rs)

Bom, porém, para responder essa pergunta usarei uma ilustração para facilitar. Imagine estão inventando o avião. Isto é, um objeto mais “pesado” que o ar que é capaz de voar. Ninguém nunca voou antes, mas existem provas, ou seja, cálculos matemáticos de que aquilo voaria. A questão é: você entraria no avião?

E esse é ponto. Você pode acreditar que aquele avião possa voar, porém só quem crê (ou tem fé) entra no avião. E essa é a diferença. Ter fé requer ação. Requer e está no fazer algo em direção àquilo que você acredita! Estava no momento em que os levitas que levavam a arca da aliança tocaram as águas do Jordão e as águas pararam de descer e o povo de Israel passou em seco (Josué 3:15); estava quando Elias, anos depois, tirou a capaz e bateu no mesmo Jordão e as aguas novamente se dividiram e ele com Eliseu passaram em seco (2 Reis 2:8); estava quando Moisés obedeceu a Deus e deu um corte no ar em direção ao Mar Vermelho que se abriu para o povo passar (Êxodo 14:16 e 21); estava com Noé quando construiu uma arca esperando um dilúvio sendo que nunca havia sequer garoado antes (Gênesis 6:14 e 22) ou com Davi quando enfrentou e matou o gigante (1 Samuel 17)!

Recentemente, acompanhei uma situação de um casal de namorados próximo. Por uma situação adversa dentro de uma fase que eles estão passando, acabaram se desentendendo e ela, por fim, decidiu pelo término da relação. Ele por sua vez entrou em desespero, afinal, para ele nenhuma oportunidade, mesmo única, no mundo, valeria a pena caso provocasse o fim do relacionamento deles, mesmo que fosse benéfico para os dois.

Assim que ele me procurou e trocamos algumas palavras. Então lhe perguntei: “Você acredita no amor que ela sente por você? Ou melhor, você acredita no amor de vocês?” Acho que ele se assustou com a minha pergunta, pois algumas pessoas já tinham dado algumas opiniões do que ele deveria fazer e penso que achou que eu faria o mesmo. Então ele me respondeu: “Sim, acredito!” E pela maneira como ele me respondeu, percebi que tinha convicção, isto é, sabia do que falava e tinha certeza. Então falei: “Então está na hora de ter fé!” A principio, ele não entendeu, mas então comecei a explicar para ele.

Segundo a definição na bíblia, “a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem” (Hebreus 11:1). Eu não entendia muito bem essa definição, mas com um pouco de graça percebi tudo isso já estava escrito aqui. Quando a bíblia diz “firme fundamento”, ela fala daquilo que você sabe e tem convicção daquilo. E quando ela cita “prova das coisas”, ela está falando de tudo aquilo que você faz a favor daquilo que você acredita. E perceba que a bíblia fala “firme fundamento das coisas que se esperamEa prova das coisas que não se vêem”. Ou seja, no caso desse meu amigo e seu relacionamento, se ele realmente tinha convicção do amor deles, a primeira coisa que ele deveria fazer era não se desesperar, pois mesmo que todos dissessem o contrario, ele sabia de algo que ninguém mais sabia.

Sabe, a fé sempre vai ter um momento decisivo. E isso não é de agora. Aliás, sempre foi assim. Em todas as passagens bíblicas aqui citadas e não citadas, os milagres foram precedidos por uma atitude. Porém, mesmo que você saia de alguma zona de conforto e embora possa parecer que em algum momento você vá remar contra a maré, lembre de que muito provavelmente só você sabe de alguma coisa. Então, tenha fé! ;)

Thiago Mulek

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O amor que te faz


Esse é o texto mais difícil que já escrevi. Em tese era para ter sido postado já há uns seis meses. Mas muita coisa aconteceu e sempre havia algo novo, uma nova descoberta, um novo entendimento que enriquecia, intensificava a ideia tanto que comecei, recomecei, escrevi, reescrevi(...). Tanta coisa que cheguei a desistir, no entanto, tenho aprendido a “escutar” e então decidi ir até o fim.

Para chegar nesse resultado, o processo foi grande e complexo. Além de fatos e acontecimentos, livros, filmes, músicas e suas letras, histórias, etc, entraram “na jogada”, preenchendo lacunas e espaços, aprimorando, amadurecendo, esclarecendo, revelando o que até então seria pra mim apenas uma intuição, talvez.

Pelos menos, pelos dois últimos anos, eu andei me evitando, fugindo de mim. Fiz coisas – e muita coisa, que não eram da minha índole, coisas que eu até condenava. Mas não porque eu era ruim, mas porque eu não queria ser mais eu ou que ou quem eu tinha sido. E por quê? Porque lembrar um certo Thiago trazia a tona lembranças que doíam, que me faziam chorar, me faziam sangrar.

Eu tinha mudado meu estilo de vida, pois relembrar aquele Thiago tinha um gosto amargo pelo fato de que eu não podia mais viver tudo o que ele havia vivido. E eu fiz de tudo mesmo para esquecer aquele tempo. Deixei de ir à igreja, deixei de tocar meu violão, deixei de orar, deixei de cantar, mudei minha forma de conversar, minha maneira de me relacionar. E é engraçado como externamente tudo muda. O olhar, o sorriso, a maneira de agir, a postura. Até as “pegadinhas” no msn eu fiz questão de cair nelas por achar que era melhor assim. Pra mim eu precisava esquecer, apagar aquilo de mim.

Mas se por fora você muda, por dentro isso não é uma possibilidade. Há coisas que nunca irão mudar. Você pode até sobreviver parecendo o que você não é, mas sobrevivência não é vida! E como aquele quem eu me apresentava não era eu, cometia erros dos mais variados. Dos bobos aos ridículos, dos banais aos idiotas. E assim comecei a aprender ou reaprender através dos meus erros.

De repente algo me assombrou. Durante minha jornada, eu havia aprendido e reaprendido várias coisas pela dor. Mas... será que só se aprende assim? Só vejo e escuto pessoas falando de lições que mudaram suas vidas baseadas na dor! Relacionamentos antigos, oportunidades perdidas, erros “imperdoáveis”(...). Será que o amor não teria nada a ensinar? Nada a me ensinar?

Como um raio, comecei a entender que embora eu fosse sentir falta daquele amor que uma vez eu vivi, eu já era aquilo. Aquele amor simplesmente havia revelado o meu melhor. Não tudo, mas sim em essência. Eu não podia mais evitá-lo, pois ele me fazia melhor! Era como o diamante sendo descoberto em meio à pedra bruta, quando lapidado. Era e é o meu “Amor para recordar”. Assim como no filme, embora eu esteja condenado a não viver mais esse amor, esse amor também foi minha salvação. Ele só tinha me ensinado a ser melhor, e não havia como não me lembrar disso. Não havia como ignorá-lo, pois ele fazia parte de mim. Mesmo que cada atitude minha, cada pensamento meu, cada rotina do meu dia, cada nota tocada ou verso cantado, me transportasse e me fizesse quase que ver, tocar, sentir, eu não podia mais fugir disso, pois estava gravado de mim.

Eu não vou falar nesse texto sobre Deus, mas creio que tudo tem um propósito. Talvez essa seja a minha marca. A marca que nunca permitirá que eu nunca mais me torne seco, superficial ou desatento. Porque o amor é assim, profundo, intenso, atencioso. Ou como uma vez eu ouvi, o amor até pode fazer sofrer, mas não há nada que se compare ou pague o preço de amar. Mesmo se for para sofrer, que seja amando.

Porque o amor é assim; como o vento. Não se pode ver, nem tocar, muito menos controlar. Apenas sentir.” – Um amor para recordar (Nicholas Spark) – adaptado.

Thiago Mulek