terça-feira, 17 de novembro de 2009

Saudades


É enigmático como a saudade age. Misterioso como podemos reviver momentos: um cheiro, um olhar, um sorriso... Mas já sentiu saudades de você mesmo?
Sabe, amadurecer é tanto irônico, tem um ar de humor negro. Embora cresçamos e cada vez mais tenhamos a oportunidade de sermos melhores, na maioria das vezes, senão todas, temos uma mancha, um fato que contradiz essa nova realidade. Como mencionei anteriormente, esse foi O ano. Foram os meus dias ruins. Nesse ano, vivi coisas e situações, fiz coisas e agi como alguém que nunca fui e que sinceramente se pudesse, com a cabeça que tenho agora, voltaria no tempo para não fazer algumas coisas ou fazê-las diferente. Alguns diriam “se arrependimento matasse...”, e eu digo “ainda bem não mata”. Imagine! Não teríamos a chance de mostrar que aprendemos, não teríamos a chance de acertar, e, mesmo que eu fosse um gato, sete vidas seriam pouco... Esse ano continua sendo o pior que já vivi, mas foi o ano que me fez acordar. Como se eu tivesse que me reencontrar ou achar o equilíbrio novamente. No entanto, tudo tem um custo. Embora nos tornemos seres humanos melhores, isso tem um custo. No caso de Adão e Eva custou o Éden, irreversivelmente. Ainda bem estamos em outro tempo, porque embora a mim tenha custado muito, pode não ser irreversível (espero). Afinal, se não titubeei para errar ou tentar o duvidoso, porque o faria para o que é certo? Sinceramente, gosto da cabeça que tenho hoje, mas isso custou coisas importantes: pessoas, tempo, dor, sentimentos... Então percebo que “a ignorância ainda é uma benção” - by Matrix. Porque algumas experiências / conhecimentos não valem a pena. Infelizmente, é só depois de provamos dela é que sabemos se vale a pena ou não. Ainda bem, que como disse, não estamos no tempo de Adão e Eva... ;)

Mulek

Um comentário:

  1. Oi querido.

    Essa experiência é a vida. Hoje em dia o homem tende a medicalizar tudo para extinguir o sofrimento, a frustração, a dor... não existe remédio para a vida, ela é seu próprio veneno e seu próprio antídoto. Talvez tenha a ver com nosso livre arbítrio, mas não creio que antes fosse tão bom. Penso que era como comer sem poder sentir o sabor... e faz parte sentir o gosto bom e o ruim, o amargo e o doce... é um extremo que dá sentido ao outro, por isso como vc mesmo diz: "o equilíbrio é essencial". O que não podemos é lamentar pois "errar é humano", se não errássemos não seríamos humanos, seríamos "deuses" e Deus não criou deuses, criou humanos. O equilíbrio se estabelece quando aceitamos e gostamos do que somos... simplismente humanos e isso não envolve o ter e sim o ser. Felicidade não é um estado geral, ela é fragmentada, por isso devemos absorver e degustar cada fração de segundo desse fragmento de felicidade e a partir desses construir uma vida original, sem desejar viver a vida do outro e sem alienar-se a sistemas rígidos. É como sempre digo: "A vida é uma aventura e como tal deve ser vivida". Sempre ficará uma nuance do que foi vivido nos labirintos de nosso inconsciente, isso porque somo construídos a partir daquilo ou daqueles que nos marcam, sem necessariamente precisar tê-los, porém as marcas se tornam simbolos que norteiam essa dimensão fantástica que se chama vida.
    Mamãe!!!!
    Amo vc.

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