Quem ler isso aqui ao final vai acabar pensando que virei um velho. Por incrível que pareça, essa é a idéia. E sabe, tenho dois tipos de reação. Ao mesmo tempo em que fico apreensivo eu também fico aliviado, pois existem incertezas geradas por este “inside” só ter acontece agora, porém, aconteceu, e “antes de tarde do que mais tarde” ou “antes tarde que nunca”.
Eu tive uma virada no mínimo misteriosa. Terminei o ano de 2009 com algumas coisas se definindo, experiências intrigantes, e iniciei 2010 com direito a pular onda, fazer pedidos e bater um “lero” com Ele – o que era inevitável. Ontem eu fui a uma festa num lugar que eu nunca tinha ido. O lugar simplesmente supera qualquer expectativa. Estrutura fantástica, os DJs mais cotados, mulheres “top’s”, pessoas de alto poder aquisitivo, bebidas caras (...), enfim, tudo em um lugar só; tudo para ser A festa. No entanto, andando pelas pistas, assistindo a alguns fatos e até sendo ironicamente incluído em alguns não pude deixar de observar e concluir como aquele lugar era vazio. Vazio de humanidade, vazio de sentimento, de Verdade. Ou seja, tudo aquilo não passa de um monte de máscaras, poses, caras, bocas e maquiagem. Você deve estar pensando: Ele está falando da mesma coisa que ele escreveu antes?! E sim estou. Experimentei uma visão a La Arnaldo Jabor. Embora eu já entendesse, desta vez, eu vivi essa mensagem. É como presenciar um desastre acontecendo e não apenas ver no noticiário ou alguém contando. Nunca vi tanto desespero enrustido num lugar só. Gente procurando umas nos olhos das outras algo especial, procurando a exclusividade, procurando a singularidade, unicidade, sinceridade, singeleza; a procura de um “amor a primeira vista”, da “peça que é a minha peça” para fechar o quebra cabeça, da “tampa da minha panela” (...). Encurtando, eles estavam procurando a idiotice, o ridículo, estavam a “caça” de idiotas. De pessoas de verdade, com sentimentos, com virtudes e defeitos, com força e fraqueza, para ajudar e serem ajudadas. Estavam à procura daquilo que status nenhum compra. E sabe, não existe nada igual pra isso. É um estado onde nada te afeta, onde não existe tentação, não existe medo, não existe dúvida, nem tristeza, nem dificuldade, onde não se está perdido. É uma sensação de paz misturada com uma euforia de alegria que acredito não ter como descrever a não ser experimentando para saber e entender. Acredito que isso é estar plenamente feliz, isto é, completo. Não tem a ver com perfeição, pois defeitos continuarão existindo. Gosto de fazer uma analogia à “metade da laranja”, pois uma metade tem seu lado forte que é a casca, mas também tem seu lado fraco que é o miolo, exposto. Porém, quando ela “acha” e se junta com outra metade, não existe mais o lado fraco, pois agora ela está escondida e não mais exposta. São duas metades juntando seu lado fraco para terem apenas um lado: o lado forte.
Concluindo, como um bom velho, se eu pudesse voltar no tempo e me deixar um conselho, eu usaria o ditado tibetano que coloquei na minha ultima postagem: “Se um problema é grande demais, não pense nele... E, se é pequeno demais, pra quê pensar nele?”. O que eu quero dizer com isso? Não foque coisas ruins, problemas, dificuldades, dores. Não os valorize. Foque e valorize seus pontos fortes, foque soluções e faça tudo ao seu alcance por elas. Não é uma decisão fácil de ser tomada nem uma posição simples de ser mantida e vivida. Mas garanto que é a que mais vale à pena.
Mulek
Feliz 2010
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